Agricultor do NE terá desconto em dívida
Presidente Fernando Henrique visita o sertão baiano e anuncia linha de crédito para atender produtores da região da seca
Agência Folha

Wilson Pedrosa/Agência Estado

(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
VisitaDa esquerda para a direita, o presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito de Ipirá (BA), Luís Carlos Martins, o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o governador da Bahia, César Borges (PFL), em uma plantação de palmas na Fazenda Calumbi, em IpiráO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que na terça-feira assinará medida provisória para que sejam descontados 50% do principal da dívida dos micro e pequenos agricultores em áreas de seca. ‘‘Quero assinar uma medida provisória que dê condições para esses agricultores sobreviverem melhor’’, afirmou FHC, durante visita de 45 minutos à região da seca no sertão baiano, no distrito de Nova Brasília, em Ipirá (distante 220 quilômetros de Salvador).
Segundo o presidente, o Banco do Nordeste vai liberar uma linha de crédito que terá entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões para atender ‘‘a centenas de milhares de produtores da região da seca’’.
A MP deverá contemplar ainda os outros agricultores da região atingida pela seca. Será feita a renegociação da dívida com juros de 3% a 6% ao ano, ‘‘dependendo das condições’’, disse o presidente. FHC quebrou compromisso firmado por ele mesmo na primeira visita à região de seca, segunda-feira, em Tejuçuoca (CE). Naquela ocasião, FHC afirmou que não gosta ‘‘de anunciar medidas de repente’’ porque ‘‘podem parecer demagogia’’.
Ontem, ao terminar a explicação sobre a nova MP, FHC disse que ela era ‘‘uma medida concreta de apoio à população’’. Ao seu lado, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que o governo está agindo corretamente. ‘‘O presidente não veio aqui (a Ipirá) apenas visitar. Ele veio trazer soluções para o povo daqui’’, afirmou ACM. Segundo ele, o governo está tomando outras providências, como a conclusão de barragens e açudes. ‘‘Elas vão melhorar não só a Bahia, mas o Nordeste inteiro. Dentro de dez anos esses problemas (de falta d’água) estarão resolvidos. Mas a população não pode esperar dez anos’’, disse o senador, justificando a MP. FHC disse que seu governo aumentou em 8,5 bilhões de metros cúbicos a capacidade de reserva de água no Nordeste. ‘‘É 40% a mais de tudo o que foi feito historicamente’’. Ele disse que também aumentou em 160% a área de cultura irrigada na região.
Ao se dirigir à população, FHC disse que estava no sertão num ‘‘gesto de solidariedade aos brasileiros que lutam contra a seca’’. Agradeceu a eles também o apoio que têm dado ao resto do Brasil ‘‘demonstrando coragem’’. FHC chegou de helicóptero às 11h10. Menos de cinco minutos depois começou a garoar na área, que não registrava uma gota de chuva desde janeiro. Às 11h23, a chuva chegou a engrossar, mas parou logo em seguida. Brincando com o fato de ‘‘ter feito chover’’ na região, FHC negou a fama de milagreiro. ‘‘Em matéria de chuva, estou mais com São José. Isso é com ele’’, afirmou.
Logo depois, quando visitou um açude que secou há três meses, FHC esqueceu-se do santo e atribuiu a ele mesmo as nuvens carregadas. ‘‘Eu trouxe chuva aqui pertinho, pelo menos a umidade.’ A umidade não resolve o problema dos moradores de Nova Brasília, que precisam de pelo menos 60 mm de chuva para que os açudes retomem sua capacidade.

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