Belo Horizonte, 2 (AE) -Integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Ernesto Paterniani defendeu hoje, durante o I Seminário Mineiro de Agricultura Transgênica, que os agricultores brasileiros possam escolher se vão ou não utilizar organismos geneticamente modificados. De acordo com ele
no caso da fiscalização do governo do Rio Grande do Sul a proibição da entrada de sementes transgênicas vindas da Argentina é justificada, pois a lei brasileira proíbe o plantio. Mas, em sua avaliação, a proibição total ou a ampliação da moratória para os produtos não faria sentido.
"Estamos há dois anos em moratória para o plantio e até hoje nenhuma informação nova foi acrescentada", disse. Paterniani afirmou que a CTNBio está analisando sementes de soja
milho, algodão, arroz e eucalipto, além das duas já aprovadas para comercialização, como a soja Roundup Ready, com liminar judicial impedindo o plantio, o milho Liberty Link e outras duas espécies resistentes ao herbicidas glufosinato de amônia e a insetos. "A proibição para o plantio possui um caráter muito mais econômico, proveniente das indústrias agroquímicas do que pela possibilidade de danos à saúde", acredita.
Moratória - A diretora da Sociedade Brasileira de Bioética, Maria de Fátima Oliveira Ferreira, disse, em palestra no seminário, que a sociedade científica precisa ter prudência e desenvolver mais pesquisas antes de decidir pelo plantio e a comercialização de produtos modificados geneticamente. De acordo com ela, apenas no caso da soja, existem de 100 mil a 200 mil genes, dos quais apenas 20 foram estudados, o que representa 0 002% do genoma.
Para Maria de Fátima, há grandes probabilidades e possibilidades de danos à saúde humana, apesar de a comunidade científica ainda não ter conseguido provar a interação de um organismo geneticamente modificado na cadeia alimentar. "O que não está provado, não significa que não exista e é por isso que defendemos a moratória", disse. Maria de Fátima afirmou também que, com o passar do tempo, os pesquisadores podem até concluir que a modificação genética é inócua para a saúde humana. Ela disse, contudo, que a inclusão de genes, principalmente os resistentes a antibióticos, é preocupante.

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