Um agricultor que integra o grupo de cerca de 50 pessoas que no início do ano reocupou a Fazenda Coopersucar, em Primeiro de Maio, registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. O denunciante afirma que havia sido vítima de tentativa de homicídio pelo grupo ligado às lideranças da invasão, que estariam fortemente armadas.
O crime teria ocorrido na tarde de 16 de janeiro e o boletim foi registrado no manhã do dia seguinte. O agricultor relatou que fazia parte do ''Movimento Sem Terra'' e que os invasores estariam todos armados. No dia dos fatos, ele teria sido acusado pelo grupo de ter furtado uma arma de um outro invasor e, como negou, acabou sofrendo a tentativa de homicídio. ''Todos armados com espingardas e revólveres obrigaram o queixoso a acompanhá-los até próximo de um rio, onde passaram a lhe ameaçar dizendo que iriam matá-lo e jogá-lo na água. Ato seguinte, passou a ser agredido fisicamente e com pauladas. Não satisfeitos, passaram a atirar contra o queixoso, o qual por sua vez saiu correndo, sendo que um dos disparos lhe atingiu de raspão o braço direito'', descreve o boletim de ocorrência.
Segundo a vítima, parte das armas - espingardas e revólveres de diversos calibres - estaria escondida no forro da casa do caseiro. Outra parte, estaria camuflada em um matagal próximo.
Um dos sócios-proprietários da fazenda, o empresário Carlos Eduardo Santa Rosa, disse estar preocupado com a situação. Ele afirmou que dias após a invasão, em 3 de janeiro deste ano, a Justiça determinou a reintegração de posse mas até agora a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) não cumpriu a ordem. No ano passado, a fazenda já tinha sido invadida e as famílias deixaram a área poucas semanas depois.
Santa Rosa reafirmou que a propriedade de aproximadamente 180 alqueires é totalmente produtiva e voltada principalmente para a produção de soja e milho. Ele apontou ainda que haviam cerca de 30 cabeças de gado mas que pelo menos 10 teriam sido abatidas pelo grupo invasor.
A FOLHA tentou contato com o delegado de Primeiro de Maio, José Vitor Pinhão, mas ele não foi localizado para falar sobre o assunto. A assessoria da Sesp informou que a ordem para reintegração está na fila para ser cumprida mas não definiu data. A coordenação do MST em Curitiba também foi procurada mas nenhum coordenador estava na sede.

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