A chegada da missão Apollo 11 à Lua, em julho 1969, foi um marco para Jonas Lourenço Silva, 64. Ele tinha apenas 13 anos quando ouviu com o pai ao pé do rádio, que guarda até hoje, o homem pisar no satélite natural. Meio século depois, o agricultor realizou o sonho de ter uma espaçonave igual à Apollo: transformou um silo de grãos em uma réplica da nave americana, onde recebe crianças para visitação.

Aficionado gastou na réplica o equivalente ao que investiria para construir uma casa
Aficionado gastou na réplica o equivalente ao que investiria para construir uma casa | Foto: Divulgação

A propriedade de Lourenço fica a 20 km de Paiçandu (Região Metropolitana de Maringá), no Noroeste. O agricultor foi o idealizador e realizador da empreitada. Durante 15 anos, projetou a nave, que tem aproximadamente 16 metros de altura. A força-tarefa para concluir a réplica começou em abril deste ano, quando Lourenço contratou especialistas, pedreiros, guincho, EPI (equipamento de proteção individual) para "comemorar os 50 anos da nave que levou o homem à lua".

Lourenço também pagou pintores para dar a cor branca à nave, pintar a bandeira americana, e soldadores. Gastou o equivalente ao que investiria para construir uma casa. Feita com um silo de armazenamento de grãos, primeira compra do agricultor para o projeto, uma caixa d'água com capacidade para 30 mil litros, um tanque de combustível de caminhão e materiais reciclados, como uma frigideira de ferro e uma forma de pudim, a obra é sete vezes menor do que a verdadeira Apollo. Essa não decola, mas dá asas à imaginação de crianças que visitam a nave nos finais de semana e feriados. A visitação é gratuita.

“Quando você coloca o silo de forma invertida dá a dinâmica do que eu pretendia realizar. Com o tempo fui garimpando, catalogando, até que por último comprei a caixa d'água em aço para que pudesse dar suporte para a primeira etapa da espaçonave, onde agregava o motor e a turbina”, conta.

Afeiçoado por altura, Lourenço é também paraquedista e aviador civil. “Assumi integralmente o risco da construção. Graças a Deus cheguei ao final sem nenhum incidente, tanto da torre ao lado quanto da própria nave, que são muito altas.” A torre de lançamento alcança 10 metros de altura.

Desde que adquiriu a chácara, o aviador recebe estudantes oferecendo visitas guiadas. “Durante um período investi muito em criações. Tinha árvores exóticas, fazia gincana para alunos da primeira série com letras, geometria”, relata.

A construção da nave foi também um meio para Lourenço se sentir satisfeito e se distrair de tristezas enquanto passa conhecimento para crianças. A família passou por um trauma durante o parto do filho, Jonathan, hoje com seis anos. O menino tem paralisia cerebral e vive graças a 22 profissionais que o agricultor mantém cuidando da criança, que não anda e não fala.

“Quero guardar as memórias. Hoje as opiniões se dividem, quando começaram as comemorações dos 50 anos do homem na lua, tivemos muita resistência. Tem uma ala que não acredita, que deturpa e descaracteriza a história. Eu falei que não, que isso [a viagem à Lua] existiu. E para materializar, nada melhor do que construir uma réplica”, conta. “O que me deixa satisfeito é presenciar a felicidade dos visitantes, das crianças. Desde a primeira visita em que subimos na cabine, gravei um vídeo de uma criança gritando e sorrindo, como só uma criança pode manifestar, com toda lealdade.”

A nave tem uma base de concreto e a parte superior de metal. Em um espaço ao lado, Lourenço já projeta montar um observatório astronômico. “Pretendo ainda trabalhar visitas noturnas ao foguete com luzes internas na cabine. Quero receber as pessoas para visitarem a nave e ao lado poderem contemplar os planetas e estrelas com um telescópio.”

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