Agrevo anuncia que em julho novo milho estará pronto para venda
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domingo, 28 de março de 1999
Por Lúcia Monteiro 
São Paulo, 29 (AE) - O coordenador de Biotecnologia da Agrevo, empresa do grupo Hoechst, André Abreu, acredita que a partir de junho ou julho, a variedade de milho resistente ao herbicida Liberty, desenvolvido pela empresa, esteja pronta para a comercialização, para plantio na safrinha 1999/2000.
O presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, Luiz Antônio Barreto de Castro, afirmou hoje, durante conferência promovida pelo IBC, que o pedido de comercialização do milho transgênico da Agrevo está sendo avaliado pela CTNBio. Castro disse ter expantado-se com a fraca reação popular ao milho geneticamente modificado da Agrevo. "Apenas o Greenpeace requisitou cópia do pedido", disse, contrapondo com o caso da aprovação da soja da Monsanto.
Abreu explica a ausência de manifestações contrárias ao milho transgênico pelo fato de o Brasil não exportar o grão e, por isso, o produto não está sujeito às restrições de outros mercados. O milho brasileiro é consumido por indústrias de aves e suínos para exportação mas, segundo Abreu, a proteína modificada é quebrada no animal e não é mais detectada nos alimentos. Além disso, segundo Abreu, como a Monsanto entra primeiro com a soja em todos os mercados do mundo, recebe as manifestações mais fortes.
O coordenador de Biotecnologia da Agrevo estima que, no primeiro ano de plantio, o milho transgênico da Agrevo ocupe a área de 15 mil hectares. Ele afirma que hoje a variedade de milho da empresa está sendo testada em cerca de 90 locais em vários Estados brasileiros. "Há área de testes e demonstração para agricultores desde o Rio Grande do Sul até a Bahia", disse
acrescentando que Pioneer e a Cargill também desenvolvem ensaios com o milho da Agrevo no Brasil. Isto porque a Agrevo não tem um negócio de sementes no Brasil.
Abreu estima ainda que o milho transgênico da Agrevo no Brasil represente, no primeiro ano, um faturamento adicional de US$ 500 mil à empresa. "Mas esse faturamento será multiplicado por 20 em quatro anos", disse. Os investimentos globais da empresa no desenvolvimento do milho modificado giram em torno de US$ 10 milhões a US$ 14 milhões com pesquisa iniciada em 1986.
Abreu não acredita na aprovação dos projetos de lei que defendem a rotulagem dos transgênicos ou a transformação do Rio Grande do Sul e Paraná em áreas livres de organismos geneticamente modificados (OGM). "O que deve haver é iniciativa de proprietários ou empresas que queiram produzir lavouras livres de OGM", disse. "Se houver mercado para produtos sem OGM, os EUA e a Argentina não vão perdê-lo", acrescentou afirmando que há produtores nos EUA se organizando para isso.
O presidente da CTNBio, Luiz Antonio Barreto de Castro, afirmou que a função da comissão é garantir a segurança dos alimentos no Brasil. Por isso, descartou a possibilidade de a CTNBio controlar a rotulagem de produtos geneticamente modificados no Brasil para separá-los dos convencionais com vistas ao mercado europeu. "A comissão não tem função sócio-econômica", disse ele. Castro acrescenta que não cabe a CTNBio avaliar se os transgênicos vão ou não causar desemprego nem buscar mercados. Para ele, a política fica a cargo do presidente da República.


