Brasília- Quase 70% dos alunos das escolas públicas do Distrito Federal já presenciaram alguma agressão física no ambiente escolar e 15% já foi vítima desse tipo de violência. Esse é um dos resultados apontados por uma pesquisa sobre violência nas escolas divulgada ontem pela Secretaria de Educação do Distrito Federal e pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA). Cerca de 10 mil questionários foram aplicados a professores e estudantes do ensino fundamental e médio.
A pesquisadora Miriam Abromovay, que coordenou o estudo, acredita que a realidade do DF se aplica a todo o país. ''Esse estudo de caso é local, mas ele acontece em muitas capitais, municípios e estados do país. Essa é uma situação que existe em todos os lugares. São situações não-específicas do DF'', defende.
O estudo detectou a presença de diferentes formas de violência nas escolas, desde agressões verbais até o tráfico de drogas e o porte de armas. Quase um quarto dos alunos diz já ter visto alguém portando arma de fogo na escola. Nas unidades de ensino localizadas nas cidades-satélites de Brasília, os índices chegam a 30%. E 3% dos estudantes afirmaram já ter levado arma de fogo para a escola. ''Na questão de violência, todo 1% é um dado importante'', avalia Miriam.
A presença do tráfico dentro e ao redor da escola também é um dos problemas apontados pelo estudo. Mais de um terço dos professores e 23% dos alunos sabem da existência ou já presenciaram a situação. Mas o que mais chama atenção, além de todos esses problemas, é o a microviolência que se dá nas relações sociais. A discriminação e o preconceito, seja entre raças, pela condição social, pelo jeito de se vestir ou mesmo a homofobia são muito presentes, destaca a pesquisadora.
Segundo Miriam, a pesquisa aponta que o clima escolar não é de felicidade, mas de muito preconceito e briga. ''Nesse contexto de violência a educação não pode melhorar'', avalia.

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