Agressão está atrelada ao machismo
Curitiba - Os perfis de agressor e agredida no quadro de violência contra a mulher são variados e não há uma uniformidade no comportamento de todos os casos. Esse é o panorama geral da violência, conforme a psicóloga Thayz Athayde. Porém, a especialista remete ao machismo, ligado a questões culturais e religiosas, o comportamento violento do homem e submisso da mulher.
Segundo a psicóloga, em geral as pessoas são criadas para acreditarem que a mulher precisa ser dependente do marido, em especial na questão financeira, o que leva a companheira a permanecer ao lado do marido, apesar das agressões. "Também existe a questão de a mulher acreditar que precisa permanecer casada com o agressor até o fim da vida por questão de costumes da população", afirma.
Ainda segundo Thayz, as influências dos costumes determinam ainda as atitudes machistas do homem de se impor à mulher, em especial no ambiente familiar. "O sujeito vai formando sua identidade com essas influências." Dentro da família, comenta Thayz, é comum a violência, principalmente quanto ao estupro, de mulheres abusadas por pais, tios, irmãos ou primos.
Outra questão levantada pela psicóloga refere-se à culpa pela agressão. Por causa dos costumes populares, a mulher, segundo a psicóloga, é apontada como responsável pela agressão ou se sente culpada pelo que ocorre. "Existe muito a influência de como a mulher deve se vestir e se comportar. Se ela age diferente disso e é, por exemplo, estuprada, a culpa acaba sendo da mulher e não do agressor", critica.
A psicóloga comenta que os números de violência no interior, que apresentaram crescimento entre 2011 e 2012, são reflexo da falta de campanhas nestes locais, o que deixa permanente a raiz machista da sociedade. "As campanhas param em Curitiba e nem chegam à região metropolitana." (R.B.)





