O delegado do 3º Distrito Policial de Sorocaba, Celso de Souza Araújo, poderá fazer a reconstituição da agressão sofrida pelo estudante de Medicina, Rodrigo Favoretto Ca¤as Peccini, de 19 anos, queimado com álcool na República da Máfia, sexta-feira de madrugada, em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. Ele disse que a encenação dos fatos, com a participação das testemunhas e dos acusados, pode ser necessária para definir a participação de cada um no episódio que resultou em queimaduras de segundo e terceiro graus no aluno. ‘‘Os depoimentos estão contraditórios’’, disse ontem.
O delegado vai aguardar o depoimento do médico Leandro Oliveira Pinho, acusado de ter colocado fogo no estudante, para decidir sobre a reconstituição. O advogado de Pinho, Armando Michelleti, disse que ele se apresenta hoje, às 15 horas, no 3º DP. Ontem, Micheletti tirou cópias dos depoimentos dos outros dois acusados, os estudantes Rodrigo Borstein Martinelli, conhecido como ‘‘Boi’’, Marcelo Guimarães Tiezzi, o ‘‘Ígor’’, e das testemunhas, para preparar a defesa do seu cliente.
Araújo pretende indiciar o médico por tentativa de homicídio. Os estudantes, que a princípio seriam indiciados por lesões corporais dolosas, vão responder por periclitação, isto é, por terem colocado em risco a vida de outras pessoas. Nesse caso, se forem condenados, as penas variam de três meses a um ano de detenção.
Dos sete estudantes expulsos da Faculdade de Medicina de Sorocaba por terem participado de trotes violentos no início do ano, quatro, que foram contatados ontem, disseram que entrarão com mandado de segurança. Eles querem garantir o direito de continuar frequentando as aulas. Os 11 alunos punidos com suspensão também pretendem recorrer para obter uma anistia da escola. Segundo eles, já houve um precedente: um grupo de estudantes punido em 1993 por violência no trote acabou sendo suspenso e recorreu à Justiça, conseguindo liminar para concluir o curso.

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