Para milhares de estudantes, o vestibular é um momento decisivo e de muito nervosismo e ansiedade. Garantir vaga em universidade pública não é tarefa fácil, ainda mais em uma instituição como a UEL (Universidade Estadual de Londrina), que sempre figura entre as melhores do Brasil. Agora repaginado e em fase única, o vestibular da UEL mantém a sua essência, sendo uma prova interdisciplinar e que testa o conhecimento de mundo dos candidatos.

Responsável pela Cops (Coordenadoria de Processos Seletivos), a professora Sandra Garcia explica que a principal novidade deste ano é a prova em fase única, em que os conteúdos foram condensados como forma de simplificar o processo, já que o candidato não vai precisar se deslocar em dois momentos. Apesar da mudança, ela garante que o exame permanece com as mesmas características.

A primeira etapa começa no domingo, dia 17 de novembro, com a prova de conhecimentos gerais, reunindo 60 questões de múltipla escolha, sobre artes, biologia, filosofia, física, geografia, história, língua portuguesa e literatura, língua estrangeira (inglês ou espanhol), matemática e química.

Já no dia 18, segunda-feira, os candidatos vão fazer a redação e a prova discursiva de conhecimentos específicos, sendo duas indicadas pelos colegiados dos cursos e uma terceira de sociologia para todos os candidatos. “Nós entendemos que a sociologia é importante para que o estudante possa ter essa base de conhecimento, possibilitando que ele possa compreender a sociedade como um todo”, aponta.

Garcia destaca o caráter interdisciplinar e de conhecimento de mundo da prova, em que assuntos atuais e importantes para a sociedade são abordados nas questões. Segundo ela, esses aspectos são fundamentais para que o estudante possa se tornar um profissional mais bem preparado, principalmente no que diz respeito à responsabilidade social diante da profissão escolhida.

Neste ano, 16.338 candidatos estão em busca de uma vaga em um dos 53 cursos de graduação da UEL. Ao todo, são 3.180 vagas, sendo 1.956 pelo vestibular e o restante para as demais formas de ingresso, como o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e a Prova Paraná Mais. Dentre os inscritos, 13.306 são paranaenses, 2.344 vêm de São Paulo e 688 de outros estados.

Como de costume, medicina registra a maior concorrência, com quase 129 candidatos por vaga. Na sequência, aparecem ciências da computação, biomedicina, psicologia e ciência de dados. Este último é o curso mais recente da UEL, que começou a ser ofertado na edição anterior e já figura entre os mais concorridos. Garcia entende que o curso atende uma demanda da sociedade, já que a tecnologia está cada vez mais presente no mercado de trabalho, e que por isso vem sendo muito procurado pelos estudantes.

Nos dois dias de processo seletivo, as salas serão abertas às 13h20 e a prova começa a partir das 14h. Neste ano, são 42 locais de prova, sendo o maior deles no campus da UEL, com pouco mais de 5,5 mil candidatos. Ao todo, 1,8 mil pessoas vão trabalhar no dia, desde fiscais de prova até seguranças e de atendimento aos candidatos.

Garcia reforça a importância de o estudante levar o cartão de identificação, apesar de não ser obrigatório, já que lá estão todas as informações sobre o local de prova e demais orientações, como a necessidade de documento com foto e canetas na cor preta e azul escura em material transparente. Caso o candidato precise de alguma orientação antes da prova, a Cops vai estar aberta das 8h30 às 12h no domingo.

TRÂNSITO E TRANSPORTE COLETIVO

A coordenadora Sandra Garcia afirma que é fundamental que os estudantes cheguem com pelo menos uma hora de antecedência aos locais de prova para evitar imprevistos. Segundo ela, foram feitas reuniões com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e com a PM (Polícia Militar), que vão atuar nos dois dias nos locais com maior fluxo de candidatos.

No campus da UEL, o acesso será pela PR-445 e pela Avenida Castelo Branco, sendo que a partir das 12h as duas pistas da avenida vão funcionar em sentido único, a partir da rotatória com a Rua da Paz, em direção ao CLCH (Centro de Letras e Ciências Humanas).

Para deixar o campus, os candidatos podem seguir pelo pelo Jardim Colúmbia ou pela marginal da PR-445, nas proximidades da rotatória do RU (Restaurante Universitário).

Para quem optar pelo transporte coletivo, alguns trajetos vão ter veículos a mais nos dois dias de prova, como é o caso das linhas: 106 – Guilherme Pires; 200 – Vila Brasil; 202 – Roseira; 203 – Ouro Branco; 205 – Cafezal; 208/229 – Higienópolis e Gleba Palhano; 209 – Cláudia; 210 – União da Vitória; 213 – Estação Catuaí; 217 – Vivendas do Arvoredo; 218 – Jatobá; 222 – Vale Azul; 301 – Jd. Presidente; 305 – UEL; 307 – Avelino Vieira; 308 – Bandeirantes; 314 – Olímpico; 315 – Colúmbia; 400 – Parigot de Souza; 401 – Chefe Newton; 406 – Aquiles Stenghel; 407 – João Paz; 412 – Hilda Mandarino; 413 – Residencial do Café; 423 – São Jorge; 425 – Cidade Industrial; 428 – Vista Bela; 501 – Terminal Vivi Xavier; 502 – Terminal Ouro Verde; 601 – Terminal Acapulco e 904 – Terminal Vivi Xavier/Terminal Oeste/UEL/Estação Catuaí/Terminal Acapulco.

REDAÇÃO

Professora de gramática e redação do curso pré-vestibular Prime, Márcia Chireia explica que a reta final é o momento em que o estudante deve reduzir a intensidade dos estudos, focando nas disciplinas específicas de cada curso, já que é hora de desacelerar o corpo e a mente para chegar no dia pronto e confiante.

“Vestibular é uma colheita, ninguém planta na véspera para colher no outro dia”, ressalta. Além disso, dormir bem também faz toda a diferença, já que o raciocínio lógico trabalha melhor com o corpo descansado. “A prova da UEL é muito interpretativa, então se o aluno não está cansado, ela erra questões muito básicas ou não tem deduções importantes ao interpretar as perguntas”, alerta.

Chireia destaca que a UEL mede também o nível de interpretação dos estudantes e que, por isso, podem aparecer diversos gêneros textuais. “O aluno precisa saber definir, a partir do comando, o que ele deve escrever”, aponta, complementando que ela vem trabalhando de forma mais intensa com a dissertação, o artigo, o comentário crítico e a resposta interpretativa. “Esses são os preferidos, embora eu não descarte o resumo e a narração”, orienta.

A professora alerta para outro cuidado que os candidatos devem tomar na hora de reproduzir a estrutura da redação. “No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), os alunos precisam usar muito repertório, muita citação. A UEL prefere com que o candidato trabalhe com exemplificação, com a relação de causa e consequência e com a concretude, ou seja, trazer para o dia a dia, para a atualidade, aquilo que ele está defendendo”, ressalta.

De maneira geral, Chireia destaca que é muito importante que o candidato olhe toda a prova antes, separando as questões nas quais tem mais ou menos dificuldade. “Não ficar gastando muito tempo em cima de uma única questão”, complementa.

RESPOSTA CLARA E OBJETIVA

Thiago Paes é professor de história do Colégio Universitário e explica que as questões de conhecimentos gerais da UEL seguem a temática da prova, que não é divulgada de antemão. A partir da leitura desse tema, o professor ressalta que os candidatos devem ficar atentos à fonte de cada um dos textos apresentados nas questões, já que o autor ou o título da obra podem ajudar na hora de responder.

A orientação do professor é que o estudante leia a fonte do texto, que pode ser um texto propriamente dito, assim como uma imagem, um gráfico ou uma charge, por exemplo, e depois o enunciado da questão. “Às vezes o texto tem muita informação, só que a exigência do enunciado é um tópico apenas”, explica, complementando que, nesse ordem, o estudante já vai ler o texto procurando a informação que precisa para responder a questão.

Como a preparação para a prova começa muito antes, Paes aponta que não existe uma fórmula certa na hora de resolver a prova, já que alguns candidatos preferem começar pelas questões que consideram mais fáceis ou mais difíceis ou, ainda, pelas áreas de conhecimento. “Ele tem que fazer o que é mais satisfatório para ele”, afirma. A recomendação é não ficar parado muito tempo em uma única questão e fazer alguns minutos de pausa durante a prova.

Considerada por muitos candidatos como a parte mais difícil, a prova discursiva da UEL envolve nove questões, sendo três para cada disciplina específica de cada curso. Paes alerta que, como o nome já diz, é necessário fazer um discurso de maneira clara, objetiva e com exemplos. “Muitas vezes a pergunta traz um verbo de comando, então se ele pede para você citar alguma informação, você não vai explicar e, sim, citar. Agora, se o verbo pedir para explicar, é outra prática; se ele pede para comparar, tem que ter dois pontos”, detalha.

A dica final do professor é chegar antes, com calma, e com todos os documentos e objetos necessários para fazer a prova. Além disso, como a prova é feita em dois dias, a chave é não deixar se abalar no segundo se o primeiro dia não foi como esperado.

SETOR HOTELEIRO E GASTRONÔMICO

O vestibular da UEL também é visto como um momento importante para os setores hoteleiro e gastronômico, já que, neste ano, quase 10 mil candidatos vêm de fora da cidade de Londrina.

Para Guilherme Simões, diretor do Sindhotéis Londrina, o impacto do processo seletivo é grande, já que a maioria dos candidatos vem acompanhado da família. Junto com o vestibulando ou enquanto ele faz a prova, a família costuma passear pela cidade, fortalecendo também o movimento em bares e restaurantes. “Isso acaba fazendo o mercado girar bastante”, aponta.

Nos dias de prova, dentre os 15 hotéis associados ao sindicato, quase todos estão com a ocupação máxima, de 100%. Cada reserva, segundo ele, é, em média, para três pessoas. Simões explica que esse período de vestibular é o segundo melhor para o setor, sendo superado apenas pela ExpoLondrina, que é um evento mais longo e que recebe mais pessoas.

Diretor executivo da Regional Norte do Paraná da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Eduardo Flore também avalia que o vestibular da UEL como um estímulo ao setor gastronômico de Londrina, já que muitos candidatos gostam de ir para bares e restaurantes antes ou depois da prova para fazer uma refeição ou ter um momento de lazer.

Segundo ele, os bares e restaurantes enfrentaram uma baixa nos últimos meses, o que ele associa aos altos impostos e a falta de incentivos aos empresários, então o vestibular vem em um bom momento. “Isso é excelente para a economia da cidade porque é um estímulo à hotelaria e à gastronomia. Trazer turistas, trazer pessoas de fora é muito bom para a cidade”, ressalta, complementando que eventos educacionais, corporativos, culturais ou de qualquer outro segmento são muito bem vistos pelo setor.

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