São Paulo, 24 (AE) - O presidente da Agip do Brasil, Piercarlo Sanna, protestou, em entrevista coletiva, contra a prática de dumping (venda abaixo o preço de custo) por parte de concorrentes na distribuição de combustíveis do País. Segundo ele, 20% das empresas do mercado estão trabalhando sem o pagamento de impostos (PIS/Cofins) por força de liminares.
Ele observou que, em Paulínia (a maior refinaria da Petrobrás), 78% das companhias que adquirem combustíveis para distribuição estão operando com liminares.
Sanna observou que a competição torna-se difícil, pois a Agip paga todos os impostos e mantém a qualidade dos produtos. Ele afirma que o impacto do não pagamento de impostos é em torno de R$ 0,08 e R$ 0,09 por litro de combustível, o que significaria um preço superior ao ganho de margem bruta.
Investimentos - O presidente do Grupo Agip disse que a empresa deverá investir US$ 130 milhões este ano no País. Ele anunciou hoje a compra de 285 postos de combustíveis e seis depósitos nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e parte de Goiás, que pertenciam à Shell.
Sana afirmou que a companhia detém hoje uma participação entre 2% e 3% no mercado de distribuição e tem o objetivo de dominar pelo menos 10% desse segmento no País.
Segundo ele, esse crescimento deve ocorrer por meio de novas aquisições e abertura de novos postos. A aquisição dos 285 postos da Shell, afirmou, permitirá à Agip aumentar em cerca de 600 mil metros cúbicos suas vendas anuais de combustíveis nos canais rede e extra-rede (aqueles de vendas direta a clientes industriais e comerciais), elevando a participação da empresa no mercado da área central do Brasil de 5% para 8%.
Vendas - Ele afirmou que a aquisição dos ativos da Shell dá prosseguimento à compra, em julho de 1998, dos 1.100 postos de distribuição de combustíveis da Companhia São Paulo de Petróleo. O valor da aquisição dos postos da Shell não foi revelado.
A Agip realizou vendas totais no ano passado de US$ 1,12 bilhão no País. A empresa também opera a Agip Liquigás, líder no engarrafamento e distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), com 22% de participação de mercado, além da Agip Distribuidora e da Agip Lubrificante.

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