Agilidade no atendimento do AVC é crucial
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domingo, 10 de outubro de 2010
Fernanda Borges<Br> Reportagem Local 
O número de mortes envolvendo pessoas com acidente vascular cerebral (AVC) no Brasil nunca foi tão alto. Quando a doença não resulta em óbito, as sequelas deixadas são intensas, condicionando o paciente a uma vida difícil e muitas vezes até em estado vegetativo. É por isso que médicos do Paraná têm reforçado a necessidade de um atendimento ágil, além de atuarem a favor do uso dos trombolíticos, tratamento aprovado em 1996 mas ainda restrito em vários Estados do país. Recente evento realizado em Londrina pela Sociedade Paranaense de Ciências Neurológicas (SPCN) discutiu o AVC e reforçou a importância sobre a prevenção da doença que mata 5,8 milhões de pessoas anualmente no mundo.
No Brasil, pelo menos 130 mil pessoas morrem em decorrência do AVC todo ano. O país está em quinto lugar entre os que mais registram pacientes com a doença. O responsável pela SPCN no Norte do Estado, neurologista Damacio Ramón Kaimen Maciel, explica que as doenças vasculares ocupam, na sociedade atual, o primeiro lugar entre todas as doenças do sistema nervoso central quanto à frequência e gravidade. ''São as chamadas doenças incapacitantes. São a principal causa de incapacidade depois dos quarenta anos'', diz.
Desde 2007 médicos e demais trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do Paraná, passaram a ser treinados para o uso do trombolítico no atendimento pré-hospitalar. Apesar do tratamento já ser implantado em Curitiba, nem todo o Estado conta com a estrutura necessária para esse procedimento que pode ajudar pacientes a viver sem sequelas. De acordo com os especialistas, os trombolíticos são aplicados em até quatro horas do início dos sintomas, por via intravenosa, em pacientes com AVC isquêmico, quando há entupimento das paredes arteriais.
A coordenadora de desenvolvimento do Siate/Samu, Mônica Fiúza Parolin, que também é responsável pela implantação do projeto AVC em Curitiba, reforça que a doença precisa ser tratada como uma emergência médica, devido ao número alto de mortes que ela pode ocasionar. Segundo ela, há um projeto já sendo estudado para futura implantação do Núcleo de AVC no Paraná, grupo que agirá na prevenção, identificação e coleta de banco de dados de pacientes no atendimento pré e pós hospitalar. ''Percebemos que o AVC tem índice de recorrência maior que o próprio infarto do miocárdio. Por isso a importância de uma companhamento também do paciente que deixa o hospital'', comenta.
A coordenadora do setor de doenças cérebro-vasculares do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Viviane de Hiroki Flumignan Zetola, lembra que o uso dos trombolíticos diminui em até 30% o risco de sequelas, além de baixar em até 18% o número de mortalidade. ''Lutamos para que o atendimento de AVC seja alterado para casos de alta complexidade porque ainda hoje é considerado de baixa complexidade. Para o uso do trombolítico é necessário uma equipe estruturada e que saiba seguir todo protocolo para a prescrição do medicamento. Por isso a importância de uma boa equipe'', finaliza.


