Piraquara - Pela segunda vez em uma semana, agentes penitenciários foram mantidos reféns por detentos de uma unidade do Complexo Penitenciário de Piraquara (CPP), na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). No último dia 4, um homem foi rendido e agredido por um grupo de presos na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP 1), quando estava na quarta galeria da unidade. Ele foi socorrido e encaminhado para o hospital, sem ferimentos graves. Desta vez dois homens foram rendidos por quase 10 horas por três presos da primeira galeria da Penitenciária Central do Estado (PCE).
Por volta das 10 horas de ontem, um preso solicitou atendimento médico e foi encaminhado para a enfermaria da unidade. Ao retornar para a cela, depois de ser medicado, o detento conseguiu render o agente com o auxílio de outros dois internos. Ao tentar intervir, um segundo agente penitenciário também foi rendido.
Os presos estavam armados com estoques (pedaços de ferro improvisados como faca) e exigiram a transferência para seus Estados de origem. Agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) comandaram as negociações, que só terminaram por volta das 19 horas.
Segundo a Secretaria Estadual de Justiça (Seju), a Vara de Execuções Penais autorizou a transferência e obteve uma resposta positiva para deslocar os três presos para Santa Catarina, o que iria ocorrer até o final da noite de ontem. Os agentes foram liberados sem ferimentos. O órgão também classificou a situação como um "fato isolado" e que o restante da unidade estava operando sem problemas.
O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) esteve reunido ontem e informou que vai cobrar providências sobre mais este episódio de violência. Na semana passada, após a agressão envolvendo o agente da PEP 1, a Seju informou que havia encaminhado um ofício para o comando da PMPR para que policiais reforçassem a segurança da unidade por tempo indeterminado. Entretanto, conforme destaca Antonhy Johnson, vice-presidente do Sindarspen, até agora nada foi feito. Segundo ele, os detentos continuam com as atividades restritas, sem banho de sol ou visitas. A alimentação e o atendimento médico estão garantidos. "É um absurdo, desde a semana passada estamos aguardando providências, mas até agora a PM não veio reforçar a segurança da unidade. E este episódio de hoje (ontem) só reforça a necessidade de se repensar a gestão das penitenciárias", disse Johnson. A Seju informou que está aguardando uma resposta do comando da PMPR ou da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), para que o efetivo possa ser encaminhado para a PEP 1.

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