Agentes presidenciais responsáveis pela matança de Tlatelolco
Cidade do México, 28 (AE-ANSA) - Oficiais militares de elite encarregados da segurança presidencial no México foram os autores da matança de estudantes na praça de Tlatelolco, na capital do país, em 1968, segundo o arquivo pessoal do então ministro da Defesa, divulgado hoje (28).
O general Marcelino García Barragán, já falecido e ministro da Defesa durante o governo do presidente Gustavo Díaz Ordaz, havia deixado sua versão dos acontecimentos de 2 de outubro de 1968 em documentos de seus arquivos.
Naquele dia, 30 estudantes, segundo a versão oficial e centenas segundo estimativas independentes, morreram durante um protesto antigovernamental ao serem atacados a bala.
A revista Proceso adiantou hoje trechos do livro "Partes de guerra-Tlatelolco 1968", nos quais são revelados detalhes dos arquivos de García Barragán que dão conta que os autores dos disparos foram membros do Estado-Maior Presidencial, o corpo de elite encarregado da segurança do presidente, que então estava sob as ordens do general Luis Gutierrez Oropeza.
Os arquivos do militar foram abertos pelos autores do livro, os jornalistas Julio Scherer García e Carlos Monsivais.
De acordo com a matéria do Proceso - de propriedade de Scherer - os disparos contra os estudantes reunidos em Tlatelolco foram feitos por um grupo de dez oficiais armados com metralhadoras. Eles tinham ordens precisas de abrir fogo contra a multidão.
Segundo os arquivos do general García Barragán, tratou-se de "ordens superiores".
Na matança de Tlatelolco, indicam os arquivos, participaram "oficiais do Estado-Maior Presidencial que dispararam tanto contra o Exército (que havia cercado a Praça das Três Culturas, local da manifestação estudantil) quanto contra a população em geral".
Em 2 de outubro de 1968, dez dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos do México, milhares de estudantes foram brutalmente reprimidos depois de uma manifestação contra o governo na Praça das Três Culturas, nas proximidades da chancelaria mexicana.
A repressão culminou com um massacre que, na opinião dos estudantes, sindicatos independentes, intelectuais de esquerda e forças oposicionistas, pode ter sido ordenado pelo então presidente Díaz Ordaz, seu ministro de Governo, Luis Echeverría, e García Barragán.
O governo do presidente Ordaz alegou então que havia uma "complô comunista internacional" por trás das manifestações de protesto e acusou estudantes armados de terem iniciado o tiroteio.





