Londrina - Lidar com situações de conflito, rebeliões e outras situações de crise são atribuições às quais os agentes penitenciários precisam estar preparados, no entanto muitos deles não dispunham da técnica necessária para lidar com isso. Com o objetivo de aprimorá-los para esse tipo de situação, 120 agentes de Londrina e Maringá estão participando, desde a última segunda-feira, do curso de técnicas de segurança penitenciária. O treinamento é ministrado pela Escola de Educação em Direitos Humanos do Paraná (Esedh) em parceria com Núcleo de Operações Especiais do Paraná (NOE) e segue até a próxima quinta-feira, na Faculdade Pitágoras.
Nas aulas os alunos são treinados a adotar uma técnica padronizada para cada situação como, por exemplo, retirar de um preso que está em uma cela um telefone celular ou um objeto perfurante. Segundo Jorge Eduardo Alves, diretor da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL II), situações como essas podem ocorrer com freuquência nas penitenciárias, são pertinentes à função e para as quais os agentes precisam estar preparados para enfrentar. ''Esse treinamento antes só era ministrado em Curitiba e agora está sendo realizado um trabalho de interiorização desse processo'', explica.
Os instrutores do curso foram formados por um grupo especializado no Rio de Janeiro e agora atuam como disseminadores desse conhecimento. O coordenador do NOE, Rogério Orem de Andrade, é um deles e orienta os agentes sobre as tecnologias existentes que podem ser utilizadas em ambiente penitenciário. ''Se o agente utilizar gás lacrimogêneo em ambiente confinado, vai atingir não só os presos, mas, inclusive, o próprio agente.'' Nesses casos o mais recomendado é o uso de uma espécie de spray de pimenta, já que a pessoa fica impossibilitada de enxergar e pode ser facilmente conduzida por poucos agentes penitenciários. ''O objetivo principal é a não letalidade, já que o preso está sob responsabilidade do agente penitenciário'', destaca.
Outro instrutor, Carlos Alberto de Jesus, ministra aulas de preparação física e técnicas de defesa pessoal fundamentadas principalmente em artes marciais como o jiu-jitsu. ''Com essas técnicas o agente penitenciário consegue imobilizar o agressor com rigor e sem violência, consequentemente não há muitos danos.''
A falta de reciclagem é considerado um dos principais problemas enfrentados pelos agentes penitenciários, cuja capacitação muitas vezes restringe-se ao curso de formação que frequentam quando são admitidos. O agente penitenciário Luiz Fernando Rissardi lembra de situações em que teve de conter o preso, mas a partir de agora, com a técnica correta, passará a agir conforme as orientações que está recebendo. ''Os instrutores também ensinam exercícios necessários para fortalecer as capacidades que mais utilizamos na profissão'', elogia.
A agente Ana Carina Minas, da Casa de Custódia, trabalha há seis anos no sistema penitenciário afirma que é a primeira vez que participa de um curso de reciclagem. Outro agente da mesma unidade, Nilson Firmino, ressalta que com esse treinamento será possível controlar situações mesmo com efetivo baixo. ''Mas será preciso treinar sempre para mantermos essa capacidade'', reivindica.

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