Agentes penitenciários entram em greve
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sábado, 23 de maio de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Piraquara - Os agentes penitenciários do Paraná aderiram na manhã deste sábado à greve do funcionalismo público e paralisaram a prestação de serviços que não são considerados essenciais, o que inclui a visitação aos presos, atendimento de advogados, passeios no pátio de sol e exames criminológicos. Com isso, familiares dos detentos que foram ao complexo penitenciário de Piraquara, o maior do Estado, foram pegos de surpresa e protestaram contra a decisão, ateando fogo em pedaços de madeira e fechando o acesso ao local.
Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), mais de 90% dos 3,2 mil trabalhadores da categoria aderiram à greve, que será por tempo indeterminado. Somente a Casa de Custódia e a Penitenciária Estadual de Londrina 1 não pararam e houve visitação ontem, que deve ser suspensa a partir de segunda-feira. Para a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Estado (Sesp), a adesão é de 60%.
Os agentes cruzaram os braços em protesto contra as recentes decisões do governo de repassar ao Paranaprevidência o custo por 33 mil aposentados, que eram pagos pelo fundo financeiro, e de oferecer 5% de data-base, e não os 8,17% da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ainda, a categoria reclama de falta de diálogo com o governo e cobra mais segurança, principalmente depois que dois homens invadiram em 16 de março o Centro de Regime Semiaberto de Guarapuava (Centro), e mataram o agente Marcelo Pinheiro, com três tiros, no horário de serviço.
Diretor do Sindarspen, Vilson Brasil afirma que a data-base foi o estopim da revolta. "O sistema de segurança do Paraná está inseguro ao ponto que bandidos invadem uma penitenciária para matar um agente. (
) Nunca fomos ouvidos", declarou.
Por meio de assessoria de imprensa, a Sesp informou que os serviços essenciais foram mantidos e que houve negociação com o sindicato, para que ao menos as sacolas que os familiares levam aos presos sejam entregues, mesmo sem visitas. A pasta ainda aguarda decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) sobre a legalidade da greve, com base em liminar obtida em 2013 que considerou a paralisação de então como irregular. O diretor sindical da categoria, entretanto, afirma que o entendimento do departamento jurídico do Sindarspen é de que a liminar não vale para a pauta atual.


