Piraquara - Os agentes penitenciários do Paraná aderiram na manhã deste sábado à greve do funcionalismo público e paralisaram a prestação de serviços que não são considerados essenciais, o que inclui a visitação aos presos, atendimento de advogados, passeios no pátio de sol e exames criminológicos. Com isso, familiares dos detentos que foram ao complexo penitenciário de Piraquara, o maior do Estado, foram pegos de surpresa e protestaram contra a decisão, ateando fogo em pedaços de madeira e fechando o acesso ao local.
Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), mais de 90% dos 3,2 mil trabalhadores da categoria aderiram à greve, que será por tempo indeterminado. Somente a Casa de Custódia e a Penitenciária Estadual de Londrina 1 não pararam e houve visitação ontem, que deve ser suspensa a partir de segunda-feira. Para a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Estado (Sesp), a adesão é de 60%.
Os agentes cruzaram os braços em protesto contra as recentes decisões do governo de repassar ao Paranaprevidência o custo por 33 mil aposentados, que eram pagos pelo fundo financeiro, e de oferecer 5% de data-base, e não os 8,17% da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ainda, a categoria reclama de falta de diálogo com o governo e cobra mais segurança, principalmente depois que dois homens invadiram em 16 de março o Centro de Regime Semiaberto de Guarapuava (Centro), e mataram o agente Marcelo Pinheiro, com três tiros, no horário de serviço.
Diretor do Sindarspen, Vilson Brasil afirma que a data-base foi o estopim da revolta. "O sistema de segurança do Paraná está inseguro ao ponto que bandidos invadem uma penitenciária para matar um agente. (…) Nunca fomos ouvidos", declarou.
Por meio de assessoria de imprensa, a Sesp informou que os serviços essenciais foram mantidos e que houve negociação com o sindicato, para que ao menos as sacolas que os familiares levam aos presos sejam entregues, mesmo sem visitas. A pasta ainda aguarda decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) sobre a legalidade da greve, com base em liminar obtida em 2013 que considerou a paralisação de então como irregular. O diretor sindical da categoria, entretanto, afirma que o entendimento do departamento jurídico do Sindarspen é de que a liminar não vale para a pauta atual.

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