Agentes penitenciários do PR temem ação do PCC
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terça-feira, 18 de julho de 2006
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Os servidores penitenciários do Paraná estão em estado de alerta e reivindicam medidas urgentes para reforçar a segurança dentro e fora dos presídios e unidades prisionais do Estado. Eles aguardam para amanhã uma audiência com representantes do alto escalão do Palácio Iguaçu para definir mudanças na escala de trabalho (que facilitaria a organização de facções criminosas), credenciamento e treinamento dos servidores penitenciários, regulamentação do porte de arma e criação de uma Secretaria Ordinária de Administração Penitenciária.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná, Sandra Márcia Duarte, existe o risco concreto de ações de mutilação e assassinato de servidores no Paraná. A exemplo do que já acontece em São Paulo. ''Tradicionalmente notamos que quando o PCC (Primeiro Comando da Capital) se organiza em São Paulo, as ações acabam sendo repetidas aqui no Paraná. Estamos preocupados e não vemos ações concretas que possam garantir a nossa segurança, dos agentes e dos servidores penitenciáiros'', reclamou ela. A prova de que as ações do PCC estariam sendo repetidas no Paraná estaria na greve de fome dos detentos na Casa de Custódia de Curitiba, ocorrida na semana passada.
Oficialmente, o governo do Estado diz que a greve de fome ocorreu como represália ao tratamento dado na Casa de Custódia (reclamação de maus tratos). ''O Estado diz que foi um fato isolado e que nada tem a ver com o PCC. Não foi um caso isolado. Isto ocorreu por causa da transferência dos 900 presos do Ahú para Piraquara. E motivado pelos integrantes do PCC, que não queriam a transferência. Não dá para dizer que não tem ligação. Sempre tem ligação. Ainda que oficialmente, a versão seja outra'', reforçou Sandra.
A agente penitenciária enfatizou que a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) está reforçando a segurança nas ruas, equipando a Polícia Militar (PM). Entretanto, a situação dos penitenciários teria ficado ainda pior. ''Hoje existe uma dependência das unidades penitenciárias da PM. O tratamento de pessoal é péssimo. Existe repressão, opressão. Foi justamente isto que instigou o PCC a se mobilizar em São Paulo com o slogan 'Menos Opressão'. A curto prazo, isto vai acontecer também no Paraná. O Estado hoje está muito confuso. Estão discutindo a questão penitenciária no foro da Polícia Militar'', reclamou ela.
Caso não tenha negociação com o governo do Estado, os agentes penitenciários prometem mobilizações em todo o Paraná. Ontem, a Folha divulgou um documento reservado do governo do Estado e que alertava para o perigo de deslocamento de integrantes do PCC para as cidades de Foz do Iguaçu e Curitiba. Eles estariam planejando ataques nos dois municípios e estariam fortemente armados.
Em nota oficial, a Sesp informou que as ameaças de ataques criminosos no Paraná teriam sido fruto de alarme falso. Entretanto, a secretaria estaria atenta a todas as movimentações de facções criminosas dentro e fora do Estado.


