Curitiba - Agentes penitenciários voltaram a cobrar mais segurança nas unidades prisionais do Estado depois que dois motins foram registrados entre quarta-feira e ontem na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP) 1, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Na manhã de quarta, um agente foi feito refém por duas horas e só foi liberado depois que um detento teve sua transferência para o interior confirmada. A ação aconteceu durante a saída dos detentos para o pátio.
Na outra ocorrência, dois agentes que realizavam a escolta na sexta galeria foram rendidos e permaneceram cerca de 16 horas em poder dos detentos. Este motim começou por volta das 19 horas de quarta e só terminou perto das 11 horas de ontem, após negociação intermediada pelo Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen), com acompanhamento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar. Durante a tarde, 22 detentos foram transferidos para outras unidades.
Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), 12 motins foram registrados nas unidades prisionais do Estado em apenas três meses. Dezoito agentes foram feitos reféns. Ainda conforme a entidade, os pedidos de transferência para unidades do interior são a principal motivação das rebeliões.
"Faltam efetivo e equipamentos de segurança. A circulação dos detentos é feita de forma insegura. Os agentes aprovados em concurso não foram nomeados. A situação está cada vez mais complicada. É praticamente uma ‘bomba-relógio’", ressaltou Antony Johnson, vice-presidente do Sindarspen.
O diretor do Depen, Cezinando Paredes, informou que um levantamento realizado a pedido da Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) aponta que 500 presos solicitaram transferência de unidades para ficarem mais próximos de familiares. Deste total, cerca de 300 conseguiram comprovar a residência da família em determinado município. "Estamos realizando as transferências, mas dependemos da disponibilidade de vagas nas penitenciárias e também da autorização das VEPs (Varas de Execuções Penais). O trabalho está sendo feito", garantiu.
A Seju informou ainda que, até o final do mês, 423 novos agentes, aprovados em concurso público, devem ser nomeados.

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