Agentes penitenciários cobram melhorias
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segunda-feira, 05 de novembro de 2012
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Londrina - Celebrar o Dia do Agente Penitenciário, comemorado no dia 13 no Paraná, e reivindicar mais atenção aos direitos da categoria. Foi com estes objetivos que a Pastoral Carcerária de Londrina promoveu uma missa ontem, às 16 horas, no Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova (Zona Central). A celebração eucarística contou com a participação de funcionários, diretores, agentes das unidades prisionais da cidade e seus familiares, além de membros da Pastoral e do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), em Londrina.
De acordo com o padre Edivan Pedro dos Santos, assessor da Pastoral Carcerária de Londrina, a missa foi uma forma de agradecer pela vida desses profissionais e mostrar para a sociedade o importante trabalho que realizam. ''São eles que fazem a Lei de Execução Penal (LEP) ser cumprida na ponta e garantem que o tratamento penal tenha efetividade ou não'', observou. ''São os agentes que garantem a ressocialização do preso'', completou.
O sacerdote ressaltou a luta que a categoria vem tendo no Estado com relação às mudanças que a Secretaria de Justiça promoveu nos presídios neste ano, ''como o aumento do número de vagas em todo o sistema prisional do Paraná sem construir mais unidades''. ''Desta forma, foram criadas mais de três mil vagas, porém, sem contratar mais servidores'', apontou.
Ele completou, ainda, que os motins ocorridos na primeira quinzena de outubro na Casa de Custódia (CCL) e na Penitenciária Estadual (PEL II), ambas de Londrina, foram motivados por esses problemas. ''Tem muito agente afastado do trabalho por problemas psicológicos e estresse e como há superlotação, as unidades decidiram diminuir o volume de serviço, diminuindo a quantidade de visitas por mês, por exemplo'', justificou.
O diretor do Sindarspen, Adilson de Moura, afirmou que a missa ajuda a quebrar o estigma que a sociedade tem com relação ao agente penitenciário. ''Há um preconceito por não conhecerem o nosso trabalho e, muitas vezes, somos vistos como carrascos. Mas somos trabalhadores comuns, que têm uma missão muito difícil de reinserir o preso na sociedade melhor do que entrou no sistema penitenciário.''
O servidor municipal Carlos Enrique Santana, do Centro de Direitos Humanos, apontou por sua vez, que ''a segurança pública real não acontece por falta de políticas públicas decentes que impeçam que as crianças e os jovens se tornem marginais e também devido à superlotação das unidades carcerárias''.
Wilson Francisco Moreira, agente penitenciário há 18 anos na PEL I, ficou bastante satisfeito com a iniciativa da Pastoral Carcerária. ''É uma maneira da comunidade conhecer os nossos problemas e entender que o nosso trabalho é feito em prol da sociedade'', disse. ''Temos lutado muito para que não nos vejam como carrascos, mas até hoje muitos nos consideram como aquela pessoa grosseira que bate ou mesmo como bandidos que levam celular e droga para os presos'', reiterou.
A Reportagem da FOLHA entrou em contato com a assessoria de imprensa do Governo, mas o celular estava desligado.


