Curitiba - Centenas de agentes penitenciários do Paraná estão acampados desde a manhã de ontem, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba. A categoria reclama de promessas feitas em março deste ano que não foram cumpridas pelo governo estadual, entre elas o reajuste salarial de 23,17% e melhores condições de trabalho nas unidades prisionais. Eles ainda cobram a realização de concurso público para a contratação de mais novos profissionais, implantação de aposentadoria especial e regulamentação do porte de arma.
Conforme o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), apenas os agentes de folga participam da mobilização. Os demais prosseguem em seus postos de trabalho. Porém, de acordo com Anthony Johnson, vice-presidente do Sindarspen, desde ontem eles realizam uma "operação-padrão" nas unidades prisionais. "Os procedimentos serão reduzidos para manter a segurança. Normalmente os agentes fazem o serviço de três ou quatro e recebe apenas o salário de um. Serão prejudicadas as visitas dos advogados, as aulas em unidades com escolas. Vamos manter o pátio de sol e a alimentação", explicou.
No início da tarde de ontem representantes da categoria se reuniram com o secretário da Casa Civil, Reinhold Stephanes, para apresentar a pauta de reivindicações. A assessoria do órgão informou que vai analisar os pedidos e que uma nova reunião deve ser realizada dentro de 15 a 20 dias.
O Sindarspen, entretanto, afirmou que a mobilização será mantida. "Hoje (ontem) pela manhã estávamos com a presença de 300 agentes de Curitiba e região, e também vieram companheiros de Londrina, Maringá, Cruzeiro do Oeste, Guarapuava e Francisco Beltrão. Amanhã (hoje) também devem participar profissionais de Cascavel e Foz do Iguaçu. Vamos manter o acampamento para mostrar nossas reivindicações para a sociedade", destacou Johnson.
O sindicato apontou que, atualmente, existem três mil agentes no Estado, mas seriam necessários pelo menos 4,5 mil para dar conta da demanda. Em março, dois agentes penitenciários foram assassinados na capital. Além disso, a categoria reclama que sofre ameaças constantes.
"Na reunião realizada em março pedimos 37% de reajuste sobre a gratificação. Na época o governo apresentou suas planilhas e disse que poderia chegar a 23,37%. Já se passaram cinco meses e até agora nada. Isso gerou a revolta da categoria. Além disso nada foi feito em relação ao porte de armas. Para nós não adianta escolta policial dos agentes porque é apenas uma medida paliativa", disse Johnson.

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