Curitiba - Com dez reivindicações em pauta, os agentes penitenciários do Paraná aprovaram ontem por unanimidade o indicativo de greve para o próximo dia 29. A votação foi realizada durante a Assembleia Geral da categoria, que ocorreu em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, em Curitiba. A insegurança nas unidades penitenciárias é a maior reclamação dos agentes. Entre o final de agosto até ontem, ocorreram cinco rebeliões no Estado. Os últimos dois motins aconteceram na Penitenciária Estadual de Piraquara(PEP) 2, na Região Metropolitana de Curitiba, num intervalo de cinco dias.
"A insegurança dentro dos presídios está insustentável. Por isso, infelizmente, não vimos outra opção a não ser deflagrar greve geral para que o governador invista no sistema penitenciário do Paraná e tome medidas de segurança", afirmou o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Antony Johnson, por meio da assessoria de imprensa.
Na última segunda-feira, quando a diretoria do sindicato se reuniu com o governador Beto Richa (PSDB) e os secretários da Justiça e Cidadania, Casa Civil e Administração, o governo autorizou em decreto que os agentes penitenciários portem arma de fogo fora do horário de serviço, embora eles pleiteiem trabalhar armados também. A lista de reivindicações é extensa. Além de mais investimentos e melhorias no sistema penitenciário, o Sindarspen também cobra o envio do projeto de lei à Assembleia Legislativa, em caráter de urgência, para a ampliação do quadro de agentes concursados; regulamentação da aposentadoria especial; e criação do plano de carreira, entre outras demandas. O sindicato diz que há 3.100 agentes penitenciários concursados no Estado, mas vê como ideal a contratação de mais 1.200.
Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Seju) informou que está aberta ao diálogo com os agentes e que só se manifestará sobre as reivindicações e o indicativo de greve quando for comunicada oficialmente pelo Sindarspen. Já o secretário da Segurança Pública, Leon Grupenmacher, disse que cabe ao Poder Judiciário avaliar a legitimidade da greve. "Primeiro tem que ver se a greve é legítima ou não, e quem vai avaliar isto é o Judiciário. Existe um indicativo e, se tiver greve, eu brinco que nem eu nem ninguém é insubstituível."

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