Agentes federais protestam contra 'militarização' da PF
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terça-feira, 16 de julho de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Agentes da Polícia Federal fizeram ontem um ato público em repúdio à iniciativa do governo federal de criar a polícia fardada dentro da instituição. A iniciativa foi divulgada através da publicação da Medida Provisória 51, de 4 de julho de 2002. Os agentes federais protestaram ainda contra o que eles denominaram de utilização política da instituição.
''Somos uma polícia investigativa e fomos criados para acabar com os crimes federais, como o contrabando, a lavagem de dinheiro e o narcotráfico'', afirmou Naziazeno Florentino Santos Júnior, presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado do Paraná (Sinpef-PR).
De acordo com os manifestantes, a ''militarização'' da Polícia Federal não é a saída para acalmar a crise gerada pela falta de investimentos na segurança pública. ''O governo teve dez anos para resolver a insegurança pública. Agora ele cria um factóide eleitoreiro'', definiu Florentino. A medida provisória prevê que os policiais fardados tenham formação de segundo grau. Os policiais federais têm todos formação superior. ''Nenhuma polícia investigativa no mundo anda fardada. Farda é para a polícia ostensiva'', lembrou ele, ao se referir à Polícia Militar.
O sindicalista alertou para o fato de o governo federal ter cortado este ano 30% dos recursos da instituição. Dos 7 mil agentes federais existentes no Brasil, 3 mil estão em função administrativa. Florentino sugere que sejam criados cargos administrativos para essas funções, de nível médio. Os policiais já concursados seriam liberados para o trabalho investigativo. ''Essa não seria uma medida eleitoreira e levaria para as ruas os policiais que hoje estão desviados de suas funções'', salientou.
Quanto à utilização política da Polícia Federal, Florentino lembrou os casos dos recentes escândalos envolvendo a ex-governadora Roseana Sarney (PFL) e o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Não se pode fazer investigações tendenciosas e com dados questionáveis. Temos que acabar com isto dentro da Polícia Federal'', alertou.
A manifestação contra a medida provisória ocorre nacionalmente hoje. A intenção é forçar o governo federal a voltar atrás na decisão de militarizar a instituição.


