Curitiba Os agentes penitenciários do Paraná cruzaram os braços ontem por 24 horas em Londrina e Maringá. Em Curitiba, um grupo fez um protesto em frente à Prisão Provisória de Curitiba (PPC), no bairro do Ahú. Eles são contra a proposta do governo do Estado de modificar o turno de trabalho dentro das unidades penais a partir de outubro, quando novos agentes penitenciários serão contratados para trabalhar na Penitenciária Estadual de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana.
Na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), um terço dos agentes escalados para trabalhar ontem fizeram a paralisação de advertência. A segurança da unidade foi mantida, mas os presos não puderam sair das celas para as atividades habituais. A PEL possui cerca de 130 agentes, dos quais 40 deveriam trabalhar ontem. Ontem, a penitenciária estava com 595 presos, um excedente de 91 em relação à capacidade original.
Os agentes penitenciários fazem escala de 24 horas de trabalho ininterruptas e folgam 48 horas, resultando, no final do mês, em uma renda extra de R$ 800. Pela lei publicada em janeiro de 2003, os penitenciários terão escala de 12 horas de trabalho ininterrupto com 36 horas de descanso. No final do mês, a escala representará uma redução salarial de até R$ 500. Isto se a proposta de reajuste de gratificação for implantada.
Além da questão salarial, os agentes recusam a decisão do governo sob o argumento de que irá trazer prejuízos ao trabalho. ''Como este é o serviço mais estressante do mundo, você precisa de um tempo maior de descanso'', afirmou o agente da PEL Ademildo Passos Correia.
Ele disse que os agentes aproveitam a escala de 24 horas para dar assistência aos presos no período diurno e, à noite, reavaliar o trabalho realizado e os eventos do dia. ''A gente consegue detectar e evitar muitos problemas com essas avaliações, o que não será mais viável com os turnos de 12 horas'', acrescentou.
No Paraná, trabalham cerca de 1,1 mil agentes penitenciários. Outros 1,2 mil passaram no concurso público estadual e estão em fase de treinamento. A presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná, Sandra Márcia Duarte, disse que a reivindicação é justa, mas não acredita em alteração a curto prazo da escala de trabalho. ''Em 2003 a nova escala deveria ter entrado em vigor. Negociando, conseguimos que ela não fossem implementada. Acho que podemos fazer um acordo sem precisarmos radicalizar com greves.''
O porta-voz e diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Clayton Agostinho Auwerter, garante que se não houver um acordo os servidores entram em greve por tempo indeterminado a partir do dia 12 deste mês. Ele defende mudanças na proposta governamental e na escala oficial. Os agentes trabalhariam 24 horas e descansariam 72 horas. ''Queremos implantar esse modelo porque ele é amplamente defendido por psicólogos e sociólogos.''
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania não soube precisar ontem a adesão ao movimento grevista. Informou apenas que uma comissão de negociação será formada para tentar encontrar alternativas para a escala de trabalho que será adotada por força de lei estadual.

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