Agentes dos Estados Unidos visitam pai de Elián em Cuba
Havana, 13 (AE-AP) - Funcionários da imigração dos Estados Unidos mantiveram contato nesta segunda-feira (13) com Juan Miguel González Quintana, pai do garoto Elián, de seis anos, cuja custódia tem sido motivo do acirramento da tensão entre Washington e Havana nas últimas semanas.
Elián sobreviveu a um naufrágio que causou a morte da mãe dele quando um grupo de balseiros cubanos tentava alcançar o território norte-americano.
O pai de Elián conversou com dois agentes do Serviço de Imigração e Naturalização (INS, pelas iniciais em inglês) norte-americano em sua casa, em Cárdenas, pequena cidade 150 quilômetros a leste de Havana, segundo informaram fontes oficiais cubanas. A visita reforçou as esperanças de González de reaver a custódia de Elián.
"Agora já não há nenhum motivo para que retenham Elián nos Estados Unidos por mais tempo. Espero que enviem meu filho de volta o mais rapidamente possível", afirmou González, de 31 anos, porteiro de um hotel do balneário de Varadero e membro do Partido Comunista de Cuba.
González mostrou aos funcionários do INS documentos e fotografias de nascimento e matrículas escolares de Elián, além da certidão de casamento com a mãe dele, de quem está separado há três anos.
"Uma vez cumprido esse trâmite formal, que é certificar-se do que todo mundo sabe - que González Quintana é o pai de Elián -, tudo que o INS deve fazer é aplicar a lei. A legislação norte-americana, a cubana e o direito internacional prevêem que menores devem ficar com seus pais", disse o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón.
Os encarregados norte-americanos de entrevistar o pai de Elián foram o subsecretário adjunto do Departamento de Estado William Brownfield e o chefe do escritório de interesses norte-americanos em Cuba, Charles Shapiro.
González Quintana, detentor do pátrio poder sobre o garoto, pediu o retorno de Elián a Cuba, ao mesmo tempo em que organizações anticastristas da Flórida o exibiam em comerciais de televisão como símbolo de resistência ao regime comunista cubano.
O presidente cubano, Fidel Castro, interveio acusando "as máfias de Miami" de ter sequestrado Elián, exigindo a devolução do garoto e advertindo os Estados Unidos para o risco de uma "guerra de opinião pública".
Após convocação de Fidel, milhares de cubanos passaram a realizar manifestações na frente do escritório que representa os interesses norte-americanos em Havana. Dias depois das declarações do líder cubano, a Casa Branca reagiu procurando tirar do caso todas as implicações políticas.
"Trata-se de uma questão para ser resolvida pelos tribunais da Flórida", afirmou, na semana passada, o porta-voz da presidência, Joe Lockhart.
Nos dias que se seguiram, porém, em uma aparente concessão do governo norte-americano, Washington reconheceu o direito do pai de Elián de reivindicar a custódia do garoto. Fidel, ao mesmo tempo, acusava grupos anticastristas de ter oferecido US$ 2 milhões para que González Quintana fosse para Miami, onde Elián está sob a custódia de tios-avós.





