Cascavel - O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) protocolou ontem no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Cascavel, pedido de investigação sobre a atuação de facções criminosas dentro das cadeias paranaenses, principalmente na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), que foi palco de uma das piores rebeliões da história do Estado em 2014, quando agentes foram feitos reféns e detentos mortos por outros presos no telhado do presídio.
Segundo a presidente do Sindarspen, Petruska Sviercoski, os materiais e documentos anexados na denúncia são referentes aos avanços de organizações criminosas na PEC, no entanto, ela comentou que o pedido de investigação pode ser estender para outras unidades, onde também existem suspeitas da atuação das facções criminosas. "Na última semana, sete agentes penitenciários considerados mais rigorosos foram transferidos para outras unidades, e existe a suspeita da influência do crime organizado", afirmou.
De acordo com ela, as denúncias foram encaminhadas ao Departamento de Execução Penal (Depen), no entanto, o sindicato não recebeu resposta. "Procuramos o Ministério Público (MP) para uma investigação isenta e transparente. Além disso, a sociedade também deve cobrar por providências, pois as facções estão envolvidas com crimes fora das penitenciárias", argumentou. Petruska lembrou que dois agentes foram baleados durante atentados nas ruas de Londrina no ano passado. Existe a suspeita que as ordens para os crimes partiram de dentro das celas.
Procurado pela FOLHA, o Depen respondeu que não teve acesso às denúncias e disse que vai aguardar as investigações do Gaeco. "Também é de nosso conhecimento, que a 15ª SDP (Subdivisão Policial) de Cascavel irá investigar o caso. Esperamos que as instituições se unam na investigação e tenhamos um resultado produtivo o mais breve possível", declarou em nota enviada à FOLHA. A Corregedoria do Depen também vai acompanhar o caso.

TUBERCULOSE NA PEL
Palco de uma rebelião e de fugas no fim do ano passado, a unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) oferece "condições perigosas e insalubres", segundo a avaliação da presidente do Sindarspen. Ela disse que existem estruturas danificadas por conta do incêndio na unidade durante o motim, mas os agentes não foram comunicados sobre os locais de risco. "Os agentes não têm acesso a banheiros e enfrentam dificuldades para fazer a higiene das mãos. Além disso, uma grande quantidade de lixo permanece acumulado próximo ao refeitório. Tudo isso é propício para a proliferação de doenças e pode motivar novos motins", criticou.
O sindicato registrou dois casos suspeitos de tuberculose entre agentes penitenciários na PEL 2, sendo que um deles já foi confirmado. Petruska também informou que um terceiro agente foi diagnosticado com dengue. "A Vara de Execuções Penais (VEP) determinou a interdição da unidade sem transferências de presos, o que não aconteceu após os estragos provocados durante a última rebelião. A PEL 2 já recebeu cerca de cem novos detentos", acrescentou.
O Depen garante que a unidade funciona normalmente em Londrina. "Todos os presos retornaram as celas, recebem atendimento médico 24 horas, pátio de sol, sacolas e visitas", afirma. Questionado sobre a saúde dos agentes penitenciários, o departamento respondeu que a dupla foi liberada pelos médicos e trabalham sem risco de contágio.

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