Agentes da dengue param de trabalhar
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Silvana Leão <BR>Reportagem Local 
Cerca de 170 agentes de saúde que trabalham no combate de focos do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, paralisaram as atividades ontem em protesto ao atraso no pagamento do salário referente ao mês de julho. Das 35 equipes que percorrem todas as regiões da cidade diariamente vistoriando imóveis e eliminando criadouros, 30 estão sem trabalhar. Os agentes são contratados por meio da oscip Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap), que vem sendo investigada pela Polícia Federal por desvio de verbas públicas, e terceirizados pelo Município.
Além do setor de Controle de Endemias, o Ciap mantém outros três convênios na área da Saúde: Policlínica, Samu e Programa Saúde da Família (PSF), que reúnem cerca de 1,1 mil funcionários. O atraso no pagamento dos funcionários teria sido causado por problemas na prestação de contas mensal feita pelo Ciap ao Município, conforme determinação do Ministério Público Federal (MPF).
O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina (SinSaúde), Júlio Cesar Aranda, informou ontem que se a regularização dos documentos não for feita rapidamente, como promete a oscip, a entidade deve entrar com processo requisitando a liberação do dinheiro. ''Mas acredito que o problema possa ser resolvido de forma administrativa'', afirmou.
Segundo Aranda, porém, é bastante preocupante o caso dos trabalhadores ligados ao Samu, pois a questão não se restringe ao atraso de salário. ''Alguns itens da convenção coletiva não estão sendo cumpridos, como por exemplo o pagamento de auxílio ambulância (equivalente a 10% do salário mínimo), em atraso há 12 meses, e o reajuste previsto no acordo.'' Hoje o sindicato deve se reunir com os trabalhadores para decidir se convoca ou não assembleia que poderá deliberar pelo indicativo de greve. Quanto à paralisação dos agentes da dengue, Aranda ressaltou que o SinSaúde não participou da decisão.
De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária, João Martins, cerca de quatro mil imóveis estão deixando de ser vistoriados diariamente na cidade. Ele informou que na última segunda-feira havia sido iniciado um novo Levantamento de Índice Rápido do Aedes Aegypti (Lira), que respaldaria nova estratégia de trabalho, a partir da semana que vem. Se a paralisação for mantida, aumentam as chances de uma nova epidemia de dengue em Londrina.


