Agentes da CCL podem entrar em greve hoje
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terça-feira, 28 de setembro de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Os agentes de disciplina da Casa de Custódia de Londrina (CCL) podem decidir hoje pela paralisação da categoria caso não haja acordo com o Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap), responsável pela gestão do presídio. Após impasse em encontro em Londrina com a direção da empresa, os trabalhadores apostam as fichas em uma reunião marcada para hoje na Capital. Os funcionários das unidades terceirizadas - Penitenciária Estadual de Cascavel, penitenciárias estaduais de Foz do Iguaçu e Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) e da Casa de Custódia de Curitiba - estão parados desde sábado.
O encontro de hoje deve reunir representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Administradoras de Casas de Custódia e Penitenciárias do Estado do Paraná (Sintepec), empresas terceirizadas, Ministério Público e Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Seju). A reunião deve ser realizada às 14 horas, na sede do Ministério Público. A assessoria de imprensa informou que a Seju não havia sido comunicada sobre a reunião até o final da tarde de ontem. Os funcionários da Penitenciária Industrial de Guarapuava, também terceirizada, estão trabalhando normalmente.
Para o delegado sindical e agente de disciplina da CCL, Gilberto de Andrade Silva, a greve na unidade londrinense é ''inevitável.'' ''Como a maioria dos funcionários é novato, esperamos uma adesão de 50%'', afirmou. Ele disse também que a exigência de segurança de manutenção de 30% dos trabalhadores em serviço será respeitada. O presídio londrinense conta com 84 agentes de disciplina, responsáveis pela custódia de 424 detentos. A capacidade oficial da carceragem é de 288.
O Inap responde pela administração das unidades prisionais de Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu e Londrina, que reúnem cerca de 600 funcionários. A expectativa do diretor-executivo José Mário Valério é oposta a dos trabalhadores. Ele disse que acredita que as negociações devem progredir. ''Há boa vontade das três partes envolvidas: empresa, funcionários e governo. A postura da empresa é de negociação, mas o indicativo de greve é que atrapalha'', alfinetou Valério.
A reivindicação é de reposição salarial de 30%, adicional de risco, plano de saúde e reajuste no vale-refeição. Segundo Silva, a empresa estaria alegando repasse insuficiente do governo para poder dar o aumento. A assessoria da Seju alegou que todos os termos previstos em contrato com as empresas estão sendo cumpridos.
O diretor-executivo do Inap também rebateu denúncia de supostas irregularidades feitas pelo Sintepec. De acordo com o sindicato, funcionários sem preparo estariam recebendo armas para trabalhar na segurança das carceragens. ''Ninguém porta arma dentro do presídio. Somente existe porte na segurança externa da PM (Polícia Militar) e de agentes táticos de segurança de perímetro, que recebem treinamento específico'', argumentou. O expediente seria utilizado apenas nas unidades de Curitiba e Foz.


