Agentes criticam transferência de presos
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Em protesto contra a determinação do governo estadual de transferir 1,2 mil detentos das carceragens de delegacias da capital para o sistema prisional nos próximos 60 dias, cerca de 100 agentes penitenciários bloquearam na manhã de ontem a entrada principal do Complexo Penal de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Para a categoria, a medida oficializada por meio de decreto pode trazer sérias consequências para o atendimento penal no Estado.
Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), se a transferência continuar, as unidades ficarão superlotadas. "É uma atitude irresponsável, pois não temos efetivo necessário para trabalhar com segurança. Os agentes ficarão vulneráveis e os presos, insatisfeitos. Com isso o risco de rebeliões e fugas vai aumentar", argumentou Antony Johnson, vice-presidente do sindicato.
A manifestação de ontem terminou no início da tarde. No entanto, a categoria permanece mobilizada e, nos próximos dias, deve organizar uma assembleia geral para avaliar os próximos atos.
Os agentes pretendem lançar uma campanha estadual contra as transferências e tentam articular uma audiência pública na Assembleia Legislativa para debater o problema.
Johnson ainda ressaltou que os presos transferidos devem ser colocados em situação precária nas unidades. "Os colchões para acomodar os novos detentos chegaram ontem nas unidades, eles serão acomodados no chão das celas e quem sabe até mesmo nos corredores. Isso vai contra os direitos humanos, além de deixar a segurança fragilizada. Já oficiamos a OAB, o Ministério Público e a Vara de Execução Penal sobre a situação", disse.
A Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), por outro lado, informou que o processo de transferência segue uma logística pré-definida e que não irá superlotar o complexo ou colocar os presos em situação precária. A pasta ainda ressaltou que a medida é irreversível, pois trata-se de um decreto governamental. Conforme a Seju, 52 presos estão chegando por dia no complexo penal de Piraquara, desde a última terça-feira. O órgão não comentou a mobilização de ontem.


