Foz do Iguaçu Parte das 38 pessoas presas sob acusação de envolvimento num megaesquema de contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai confessou a participação em depoimentos prestados ontem, na delegacia da Polícia Federal, em Foz do Iguaçu. A informação foi dada pelo delegado-chefe da PF, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita.
Segundo ele, ''diante das provas apresentadas alguns agentes confirmaram o envolvimento no crime''. Outros requisitaram o direito de falar somente em juízo, completou Mesquita, sem precisar quantos admitiram a prática ilícita. Anteontem pela manhã, foram presos 22 policiais federais, três fiscais da Receita Federal, dois policiais rodoviários e nove atravessadores de mercadorias.
No fim da tarde de quarta-feira, foi preso mais um intermediário e ontem foi presa a funcionária da Receita Federal Maria de Lourdes Costa Rodrigues Miranda, que tinha mandado de prisão temporária. Com as duas novas detenções, subiu para 38 o número de presos. Outro policial federal investigado prometeu entregar-se hoje.
Os servidores públicos serão indiciados por contrabando, facilitação ao contrabando, corrupção ativa e passiva, crime de prevaricação e formação de quadrilha. Enquanto aguardam julgamento, responderão inquérito administrativo e podem ser expulsos dos órgãos do governo federal.
Sobre as provas, Mesquita não negou nem confirmou a existência de filmagens ou escutas telefônicas. Disse apenas que vai requisitar as filmagens feitas pelo circuito da Receita Federal, na aduana da Ponte da Amizade. Os vídeos reforçariam a suspeita de que alguns agentes faziam ''vistas grossas'' a travessia do contrabando. O acerto previa R$ 200,00, em média, por veículo passado sem fiscalização pela Ponte da Amizade.
Conforme o delegado, a maioria havia prestado depoimento antes do meio-dia de ontem. A previsão era de que todos fossem ouvidos até o começo da noite. Somente depois do último ser ouvido é que o grupo seria encaminhado para as cadeias distintas, pois todos precisariam assinar o auto de prisão em flagrante em conjunto (ver texto nesta página).
A investigação começou há cinco meses. Durante esse período, a ''Operação Sucuri'' reuniu documentos que levaram o Ministério Público Federal e a Justiça Federal a expedir 40 mandados de busca e apreensão. A ação, secreta, levou a fronteira 80 agentes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e São Paulo. Outros 20 foram recrutados de outras divisões da PF no Paraná.
A Folha apurou que no total quase 60 pessoas foram investigadas, entre elas também haveria policiais civis. Mesquita, entretanto, não descarta a possibilidade de novas prisões em virtude do volume de provas colhidas e objetos apreendidos a partir dos flagrantes.
Entre os produtos apreendidos, estão computadores, equipamentos de informática, cigarros, bebidas, eletrônicos, veículos, armamentos de grosso calibre e até um cofre de aço. A polícia ainda verificou a procedência de todos os objetos, se eles têm origem legal ou ilegal, e se as armas têm registro. À tarde, a polícia recebeu ajuda dos peritos do Instituto Nacional de Criminalística, de Brasília.

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