Curitiba - As 185 páginas já escritas no inquérito policial que investiga os motivos e responsáveis pela rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), no dia 14 de janeiro, apontam que dois agentes penitenciários, sendo um deles o chefe de segurança do presídio, teriam planejado o motim por motivos próprios. A informação foi divulgada, ontem, pelo secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, após o anúncio da prisão dos dois servidores. A conclusão dos investigadores seria baseada em testemunhos - presos e outros agentes - além de documentos e outras provas obtidas pela inteligência da polícia.
Além de Celso Tadeu do Nascimento, chefe de segurança da PCE, e Carlos Carvalho da Silva, subchefe da segurança, outros nove mandados de prisão contra detentos da penitenciária acusados de envolvimento na rebelião foram cumpridos, ontem, pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
Segundo o relatório do Cope, a rebelião foi resultado da decisão de remover presos de facções rivais para uma mesma galeria. Os agentes teriam planejado com antecedência e sabiam, inclusive, que os cerca de 20 presos remanejados estariam armados e avisavam que haveria mortes. A situação teria sido agravada quando um dos presos, do chamado ''seguro'', foi escolhido para ser o ''faxina'' - considerado líder - no local onde estavam os seus desafetos.
A Sesp informou que as remoções foram feitas sem a ''conivência da maioria dos presos''. De acordo com o juiz corregedor dos presídios, Marcio Tokars, a técnica de administração de unidades prisionais tem que ser precisa, prevendo, inclusive, a separação de grupos rivais. O inquérito policial aponta que a experiência dos agentes ''lhes daria perfeita condição de saber o que estaria por acontecer com essa transferência''. O motim seria uma ''trama muito bem planejada pela chefia de segurança e alguns presos, tendo como premissa o maior retorno de policiais militares ao estabelecimento prisional'', aponta o texto do relatório.
Delazari ainda afirmou que há indícios de ligação dos agentes presos com facções criminosas. Mas, oficialmente o objetivo da ''trama'', apurado pela polícia, seria forçar a volta dos 20 policiais militares retirados da guarda interna do presídio quatro dias antes do motim. Conforme Delazari, ''os agentes queriam trabalhar menos''.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, José Roberto Neves, a investigação foi unilateral, uma vez que a Sesp também deveria ser responsabilizada pela rebelião, justamente pela retirada dos policiais que auxiliavam na segurança de um presídio ''sem estrutura e com contingente muito abaixo do necessário''.
''O chefe de segurança é um agente penitenciário, mas é também um homem de confiança do próprio governo. É um cargo comissionado. Se agora o acusam até de ligação com facção criminosa, como não sabiam disso antes'', argumenta Neves. Segundo ele, o sindicato tentou avisar o Governo do Estado sobre as possíveis consequências da retirada dos policiais militares.
Conforme o delegado-chefe do Cope, Miguel Stadler, o inquérito ainda não está encerrado e as investigações continuam para apurar, inclusive, se o diretor da PCE estava ciente das transferências de presos horas antes do início do motim. Mais pessoas ainda podem ser presas.
Todos os presos por envolvimento na rebelião irão responder por homicídio qualificado, lesões corporais graves e gravíssimas e dano ao patrimônio com violência à pessoa. O motim começou na noite de 14 de janeiro e terminou no dia seguinte. Cinco presos foram mortos durante o tumulto e outros dois não resistiram a ferimentos e morreram em hospitais. Três agentes penitenciários foram feitos reféns, fato que, para Delazari, é o que ''causa mais espanto''.

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