A reportagem da FOLHA ouviu o depoimento de um agente penitenciário, que pediu para não ser identificado, sobre o seu cotidiano em uma unidade prisional. Ele relata que se fosse para seguir pela cartilha de segurança, o número de agentes penitenciários devem ser sempre superior ao número de presos quando há a necessidade de se abrir uma cela. '' Mas aqui, quando há seis presos, por exemplo, o agente penitenciário abre a cela sozinho e para evitar que os presos fujam, é trancado o corredor'', alerta.
''O Primeiro Comando da Capital, o PCC, já tomou conta dos presídios de Londrina, Cambé, Rolândia, de Ponta Grossa, de Curitiba e de Foz. Eles só não entraram em Maringá porque há uma facção rival que ainda não deixou'', conta ele, lembrando que em Foz do Iguaçú, além do PCC, existe o Comando Vermelho.
Ele critica a burocracia para se obter melhorias nas unidades prisionais. No último sábado, disse, seis celulares foram lançados para o pátio da unidade prisional de Londrina. ''Não possúimos rede de anteparo para objetos lançados de fora do presídio. Imagine se fosse uma pistola com 20 balas, o estrago que poderia causar'', questiona o agente.
Por esses e outros motivos, os agentes prisionais aprovaram ontem, em assembleia realizada Londrina, um indicativo de greve. Eles exigem melhorias na segurança, construção de novos presídios, contratação de mais agentes penitenciários e um aumento do adicional de risco em 54,7%. Atualmente um agente em início de carreira recebe R$ 2.800 e o adicional por risco é de cerca de R$ 1.600. (V.O.)

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