Agente penitenciário acusado de 'leiloar' armas é preso
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terça-feira, 24 de setembro de 2002
Lívia Marra<br> Agência Folha 
Rio de Janeiro - O agente penitenciário Marcus Vinícius Tavares Gavião, conhecido como Playboy, foi preso anteontem à noite em Campo Grande, no Rio, sob acusação de entregar armas para presos de Bangu 1. Uma rebelião liderada pelo traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, deixou quatro mortos dia 11 na unidade.
O agente penitenciário do Desipe (Departamento do Sistema Penitenciário) é suspeito de fazer uma espécie de ''leilão' para a entrega das armas. ''Ele entregaria as armas para quem oferecesse mais dinheiro'', afirmou Gilberto Dias, delegado substituto da Draco (Delegacia de Repressão à Ações Criminosas Organizadas).
Em depoimento, o agente negou as acusações, conforme Dias.
Os traficantes do Comando Vermelho teriam pago R$ 400 mil para o agente. Há suspeitas ainda de que o Playboy teria combinado a entrega de armas para Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, da facção Amigos dos Amigos, morto durante a rebelião, por R$ 200 mil.
''Há suspeitas de que ele tenha passado três pistolas para o Comando Vermelho e uma para o Terceiro Comando. No dia da rebelião, os presos perguntavam a todo momento pelo agente, que chegou mais tarde para trabalhar. A revolta do Comando Vermelho teria sido motivada até pelo fato de ele ter passado arma também para o Terceiro Comando, para confronto'', disse o delegado.
As facções ADA (Amigos dos Amigos) e TC (Terceiro Comando) são aliadas contra o CV (Comando Vermelho).
Além das armas, o agente pode ter fornecido as cópias das chaves das celas e das galerias de Bangu 1 para os traficantes do Comando Vermelho.


