Rio de Janeiro - Pelo menos um agente penitenciário morreu, dois ficaram feridos e quatro presos foram baleados ontem numa tentativa de fuga seguida por uma rebelião no presídio de segurança máxima Bangu 3, na zona oeste do Rio. A polícia cercou o presídio, impedindo que os detentos escapassem. A rebelião não havia terminado até o fim da tarde de ontem. O fornecimento de luz e água para o presídio foi cortado, por determinação do secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Astério Pereira dos Santos. Os presos invadiram a cozinha, onde pegaram alimentos, na hora do almoço.
O cerco à penitenciária foi feito pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar e o Regimento de Polícia Montada, além de policiais do 14º BPM. Foram usados também carros do Serviço de Operações Especiais e o carro blindado do Bope , conhecido como Caveirão.
A confusão começou entre 10 e 11 horas, quando um carro do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) recolhia presos que deveriam ser apresentados à Justiça. Quatro já estavam no veículo, quando um grupo de presos armados de estoques (facas artesanais) tentou dominar três agentes e derrubou suas armas. Baleado, o agente Luiz Cláudio Lima Bonfim, 33 anos, foi atingido no abdome e na perna e morreu em seguida. Foram feridos com as facas Ronaldo Barbosa de Souza e Pedro Wallace da Silva.
De acordo com a secretaria, os próprios presos balearam os detentos que estavam no carro. Para evitar a a fuga, os guardas das guaritas reagiram e houve troca de tiros. Os presos, então, retornaram para a unidade, invadiram o gabinete do diretor e fizeram 40 reféns, entre eles 20 operários que trabalhavam numa obra para recuperação de uma das galerias, sete professores, psicólogos, médicos e enfermeiros, além de mulheres de presos que faziam visitas.
Entre os reféns estava a psicóloga Ana Andrade Costa, irmã do vereador Rubens Andrade (PSC), que foi ao presídio acompanhar as negociações. De acordo com Astério Pereira dos Santos, os presos passaram a exigir um carro para fuga, uma comissão formada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a presença da imprensa, para negociar o fim da rebelião.
''A ordem é não transigir. Se quiserem negociar, vai ter que ser com a secretaria'', disse o secretário. Segundo Pereira dos Santos, os presos Cebolinha e Ratinho estariam liderando a rebelião, que reuniria entre 50 e 60 presos dos 780 que estão em Bangu 3. O secretário informou que a capacidade é para 800 detentos.

mockup