Não bastasse a situação de insegurança envolvendo os agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), mais um episódio ontem recolocou a categoria na berlinda: a esposa de um agente disse ter recebido telefonema com ameaças de morte contra o marido. A informação foi dada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), que reclamou que os agentes estão vulneráveis e que muitos estariam se armando contra a vontade do Governo.
De acordo com o secretário-geral do Sindicato, Ademildo Passos Correa, a pessoa disse que o agente seria executado: ''olha, você e a esposa de fulano de tal? Nós vamos executar sem marido''. A mulher foi orientada a registrar queixa na Polícia Civil.
Correa comentou que é difícil saber de quem teria partido a ameaça, ou mesmo, se seria real. ''Acredito que isso possa ser em função do que está sendo veiculado. Pode ter sido algum engraçadinho. Não sei se é verdade ou não, sem ligação com facção (criminosa) ou não. O que sabemos é que estamos vulneráveis aos criminosos'', afirmou.
O sindicalista argumentou que os agentes penitenciários de Londrina viraram alvos fáceis por uma conjunção de fatores. Citou que o fato da PEL ter sido transformada em unidade para presos provisórios contribuiu na medida em que os agentes não têm como conhecer os presos com os quais lidam por causa da alta rotatividade. Os provisórios chegam ''cheios de problemas'', resistem em aderir à disciplina da prisão e sabem que ficarão por pouco tempo. ''Não conseguimos identificar todos os presos que passam por lá mas eles, com certeza, nos conhecem'', completou Correa.
Outro ponto negativo é a proibição pelo Estado do porte de arma de fogo, um direito assegurado no Estatuto do Desarmamento. Com isso, os agentes estariam se armando por conta própria como medida preventiva e usando coletes à prova de balas. Segundo ele, um projeto de lei autorizando o agente a andar armado tramita na Assembléia Legislativa.
Na edição de ontem, a FOLHA publicou reportagem em que uma fonte relata que a morte do agente Francisco Gonçalves Filho, executado no dia 22 de janeiro, poderia ter sido encomendada por uma facção criminosa. Além disso, outros dois agentes estariam jurados de morte. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) nega o envolvimento de facções no crime bem como a existência de uma lista de jurados de morte.

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