Londrina – O Ministério Público Federal (MPF) denunciou um agente dos Correios e mais duas pessoas pelo crime de peculato por desvio de mercadorias que deveriam ser entregues por correspondência. O carteiro se apropriou de celulares e chips e revendeu para os outros dois denunciados. As mercadorias estavam avaliadas em R$ 11 mil. As irregularidades foram praticadas em 2013.
Segundo o MPF, a investigação foi realizada pela Polícia Federal (PF) durante dois meses e constatou que o agente dos Correios se apropriou de 12 celulares e 12 chips. Ele teria revendido sete celulares e sete chips para os outros dois envolvidos, que assinaram o recebimento das mercadorias em nome dos verdadeiros destinatários. O carteiro teria recebido R$ 50 por encomenda entregue aos golpistas.
As suspeitas de irregularidades na entrega das encomendas postadas pela empresa Ezconet S/A, de tecnologia e distribuição de telefonia celular e eletrônicos, para pessoas supostamente residentes em Londrina partiu do gerente do Centro de Entrega de Encomendas (CEE) dos Correios na cidade. O que chamou a atenção do setor de inteligência da PF é que a maioria dos carteiros devolvia as encomendas, em virtude de destinatário "desconhecido no endereço". Porém, no distrito postal de responsabilidade do carteiro denunciado, as mercadorias estavam sendo entregues normalmente.
Na investigação, ficou comprovado que as pessoas que figuravam como destinatárias não residiam nos endereços constantes nos envelopes. O agente entregava os celulares e chips a terceiros, diferentes dos destinatários informados nas encomendas, e, em alguns casos, o próprio carteiro se apropriava dos equipamentos. Os outros denunciados assinavam os avisos de recebimento e as listas de entrega dos Correios, passando-se pelos supostos destinatários.
Os Correios informaram que foi realizada uma investigação interna, com informações colhidas por inspetores em um trabalho de campo, e foi constatada a participação do agente. O carteiro chegou a ser preso em flagrante, mas negou participação no crime. Após um processo administrativo, o funcionário, que trabalhava havia três anos na estatal, foi demitido por justa causa e está recorrendo da decisão na Justiça. "Constatamos também que o servidor por duas ou três vezes retirava uma encomenda, não entregava no destino e nem devolvia, alegando que havia perdido a correspondência, o que configura negligência", afirmou Robson Daldegam, gerente de Segurança Empresarial dos Correios.

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