Rio, 14 (AE) - O funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temilson Rezende, o Telmo, acusado de ser um dos autores do grampo telefônico no BNDES, ficou detido hoje por cerca de duas horas na Superintendência da Polícia Federal (PF). Localizado por volta do meio-dia no centro do Rio, ele foi conduzido até a PF por agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie).
O advogado de Telmo, Carlos Kenigsberg, considerou a detenção "arbitrária", porque a prisão preventiva de seu cliente, decretada há dois meses pelo juiz Alexandre Libonati, da 2.ª Vara Criminal, foi suspensa pelo habeas corpus concedido em 17 de novembro pelo Tribunal Regional Federal. "Um cidadão não pode ser constrangido dessa forma e a autoridade policial não pode alegar que um problema no sistema causou o erro", disse Kenisgsberg. Segundo ele, a PF alegou que não havia sido comunicada oficialmente sobre o habeas corpus.
O chefe da Delecoie, delegado Alexandre Da Matta, disse, porém, que a detenção ocorreu porque Telmo já teria sido intimado três vezes para depor sobre o caso do coronel reformado da Aeronáutica Eudo Santos Costa, dono de uma empresa de segurança, acusado de envolvimento com grampos no Rio e em São Paulo. "Não houve erro, ele foi conduzido porque já havia sido intimado e não veio", afirmou. "Não tem nada a ver com o outro caso (do BNDES)."
O coronel Costa foi detido em dezembro de 1998 com sete malas contendo equipamentos de escuta e 30 caixas com gravações supostamente clandestinas de conversas telefônicas. Kenigsberg comprometeu-se com o delegado Roberto Prell, que preside o inquérito instaurado para apurar esse caso, a apresentar Telmo às 13h de amanhã (15) para prestar depoimento sobre o caso.

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