Manhã de cinco de abril. O funcionário público Érico Bruni atravessa a Via Rápida do Portão quando um Passat preto o atropela em alta velocidade. O motorista não pára. A vítima do acidente morre uma semana depois no pronto-socorro do Hospital Cajuru. O condutor do carro é identificado numa foto de lombada eletrônica: José Augusto Mendes Paredes, agente do 6º Distrito Policial.
O policial se apresentou sexta-feira na 2ª Delegacia de Acidentes de Trânsito (DAT). Ele evitou a prisão preventiva, mas vai responder a inquérito por homicídio doloso (sem intenção) e omissão de socorro. O agente estava junto com a namorada quando passou pela lombada a uma velocidade de 97 km/h.
Não bastasse o fato de atropelar o funcionário da Sanepar e deixar de socorrê-lo, Paredes dirigia um Passat roubado que havia sido apreendido pela equipe do 6º DP. Sua namorada vai ser indiciada por co-autoria no crime de omissão de socorro.
O crime foi solucionado em grande parte pelo empenho do pai da vítima, Hélbio Bruni, que tentava localizar o atropelador desde o dia do acidente. Foi ele quem recorreu ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) para buscar o filme fotográfico da lombada. O mesmo material já tinha sido analisado por peritos do Instituto de Criminalística, que conseguiram melhorar a qualidade da imagem para facilitar a identificação do criminoso. A foto foi distribuída para a imprensa. A partir daí começaram as denúncias contra Guto Paredes, reconhecido mesmo com óculos escuros na foto.

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