A confirmação das datas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2021 para os dias 21 e 28 de novembro deste ano deve representar a retomada de um calendário de estudos para alunos e egressos do ensino médio que buscam acesso ao ensino superior. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, por meio do Twitter, na noite de segunda-feira (31).

Para o psicólogo e jornalista João Vianney, diretor do Blog do Enem, a principal vantagem da definição é que funciona como uma "agenda" para os alunos. "Quanto mais o MEC (Ministério da Educação) adiou essa data, mais os prejudicou”, avaliou.

Por outro lado, para estudantes ouvidos pela reportagem, como Ana Vivian de Azevedo Rodrigues, 18, ainda é cedo para garantir que as provas devem ser realizadas este ano, já que a pandemia da Covid-19 “bagunçou” o calendário de vestibulares de grandes universidades públicas do país. "Se eu passar, não irei realizar o Enem. Caso contrário, estarei lá na data prevista", declarou.

O Enem ainda não teve o seu edital publicado. Entretanto, esta etapa será vencida nesta semana, conformo revelou Ribeiro à Folha de S. Paulo. Já o período de inscrições ficou para o período entre 30 de junho e 14 de julho.

Vianney ressaltou que "os principais prejudicados com a demora na definição são sempre os candidatos". “Ficou enrolando, queria adiar para o ano que vem, assim o aluno esfria. O maior prejuízo foi isso, em seis meses. Podia ser em 2022, mas teria que ter essa data anunciada mais cedo. Agora é hora de correr atrás, mas foi um erro político do MEC em atrasar a confirmação do calendário”, criticou.

Questionado pela FOLHA, o especialista avaliou como “irrelevante” o argumento de que a realização da prova em novembro é mais vantajosa no sentido de resultar em um ingresso no ensino superior já no primeiro semestre do ano seguinte. “Para o aluno não é relevante. Só 30% dos que acabam o ensino médio entram no ensino superior no ano seguinte à conclusão. A maioria entra após os 19 anos”, afirmou.

Ainda sobre esse tema, Vianney acrescentou que, historicamente, cerca de metade dos candidatos que realizam o Enem já deixou o ensino médio há um ano ou mais. Em média, apenas 30% são alunos de 3º ano do ensino médio e 20% são os chamados “treineiros”.

Este é o caso da estudante Isabelly Camila da Silva Torres, 17, que já realizou o exame duas vezes apenas para se preparar e, agora, vai encarar a prova "para valer". Ela pretende ingressar em medicina, e acredita ser vantajosa a escolha pelo mês de novembro justamente pela possibilidade de ingressar na graduação no primeiro semestre. “Quando sair o resultado, consequentemente, os estudantes que passaram já vão entrar no primeiro semestre, o que não aconteceu neste ano. Diante do contexto atípico que estamos vivendo, é necessário que tenha toda uma estrutura, proteção, segurança, mas acredito que irá correr tudo bem”, estimou.

Ainda conforme a "Folha de S.Paulo", o governo federal ainda não assinou o contrato com a gráfica que irá realizar a impressão das provas, outra indefinição que vem colaborando para aumentar a desconfiança sobre o sucesso desta edição. Em 2019, por exemplo, quando o exame também foi realizado em novembro, os documentos que definem o cronograma e as diretrizes da prova foram publicados em março. Já o contrato com a gráfica, foi assinado em 21 de maio. Mesmo assim, foi necessária uma troca emergencial do fornecedor já que a primeira empresa escolhida faliu.

A última também edição ficou marcada pela maior abstenção da história das provas do Enem, 55,3% no caso da prova impressa e mais de 71% na pioneira edição digital, que foi realizada uma semana depois. Conforme o anúncio desta semana, também já ficou definido que as duas versões serão aplicadas ao mesmo tempo, porém ainda não se sabe quantas vagas serão disponibilizadas para o Enem Digital.

Para o estudante Lucas Miguel Gonçalves de Matos, 27, que já realizou o Enem seis vezes, a expectativa é de queda na abstenção já que a pandemia deverá estar mais controlada em novembro. Ele avaliou que fatores relacionados à saúde mental dos estudantes desde o início da pandemia foram os principais influenciadores para o registro da alta abstenção. "Quando remarcam a prova esse tempo usado para revisão se torna maçante e manifestando um sentimento de estagnação, de 'patinar'. E ai vem as procrastinações, as dúvidas e as inseguranças", avaliou.

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