São Paulo - Com a escalada de um discurso armamentista por parte do governo Jair Bolsonaro, o número de emissões de registros para CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) cresceu 42% entre janeiro e maio deste ano. No primeiro mês, o Exército concedeu 3,8 mil registros para as categorias e, em maio, o número chegou a 5,4 mil, totalizando 18,5 mil registros neste período. O número equivale a 39,4% de todos os registros concedidos em 2018 e a 56,2% dos registros de 2017. Os dados foram informados ao Estadão/Broadcast pelo Exército.

O número de registros concedidos pelo Exército representa apenas a quantidade de pessoas que ingressaram nos CACs. A entidade não informou quantos pedidos foram negados neste período. Atualmente, existem quase 900 clubes de tiro em todo o País. Eles são registrados junto ao Exército e regulados por portarias e instruções técnico-administrativas do Comando Logístico. O comando da 5ª Região (que abarca os Estados de Santa Catarina e Paraná) é o que concentra mais clubes, 195.

Em maio, Bolsonaro editou um decreto que facilitou o porte de arma e o acesso a munições para os CACs. Mas no fim de junho, o presidente revogou o texto e outros dois, também sobre armas, e enviou ao Congresso um projeto de lei para tratar de registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição e também sobre o Sinarm (Sistema Nacional de Armas). O relatório, porém, resgata a regulação dos CACs.

O relator do projeto de lei que regulamenta a posse e o porte de armas, deputado federal Alexandre Leite (DEM-SP), avalia que o aumento foi causado pelo discurso do governo favorável à liberação das armas e pelas dificuldades impostas pela legislação vigente até a edição dos decretos de Bolsonaro sobre o tema. A Polícia Federal, por exemplo, exigia a comprovação de efetiva necessidade para se ter a posse de uma arma de fogo.

"A PF sempre foi muito restritiva, tanto em relação ao porte quanto à posse também. Hoje com o decreto, autoriza, mas o único meio que as pessoas tinham para ter o deferimento era pelo CR (concessão de registro) de atirador desportivo. Então, as pessoas estavam recorrendo ao Exército para se cadastrar como atirador e poder ter uma arma de fogo em casa quando, na verdade, elas não estavam praticando tiro esportivo", disse Leite para a reportagem.

Atirador desportivo desde a adolescência e competidor, Alexandre Leite avalia que a edição dos decretos provocou uma corrida pela compra de armas no País. O parlamentar conta que, para os atiradores desportivos, porém, essa busca teve uma consequência negativa: as pessoas começaram a usar estes registros como subterfúgios para conseguir o porte de armas e o número de ocorrências envolvendo irregularidades de integrantes da categoria aumentou nos últimos meses. A PF não informou os números.

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