A Polícia Federal de Maringá depende apenas do depoimento dos responsáveis por duas agências de viagens para concluir o inquérito que apura o aliciamento de trabalhadores na região. Pelo menos 60 pessoas de vários municípios próximos a Maringá pagaram entre R$ 3 mil e R$ 5 mil por um contrato de trabalho na Inglaterra. A promessa, de ganhos acima de R$ 600,00 semanais com despesas pagas, não se concretizaram e muitos aliciados acabaram deportados. Uma agência de Maringá e uma de Nova Esperança foram citadas pelas vítimas que denunciaram o esquema na Polícia Federal.
O delegado Antônio Hadano, que dirige os trabalhos, já acionou a Interpol (Polícia Internacional) porque existe o envolvimento de ingleses no golpe. Ele explicou à Folha que, assim que os trabalhadores chegavam na Inglaterra recebiam uma identidade portuguesa falsificada. Por esse motivo decidiu contatar a Interpol. Hadano confirmou que a polícia já está com as investigações adiantadas na Inglaterra, mas por enquanto nada pode ser divulgado.
O inquérito da PF será enviado à Justiça Federal com denúncia contra os envolvidos por aliciamento de trabalhadores e formação de quadrilha. Os dois crimes podem, juntos, render de um a seis anos de detenção. A PF está preocupada também com os brasileiros que ainda estão trabalhando na Inglaterra. Segundo Hadano, estas pessoas podem estar passando pela mesma situação dos que foram deportados, sujeitando-se a trabalhos pesados sem as mínimas condições.

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