As agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Londrina e Curitiba amanheceram lotadas ontem. Depois de 74 dias de greve, encerrada na semana passada, os peritos têm 3,5 mil perícias atrasadas em Curitiba e Região Metropolitana. Em Londrina e região, mais de 2,6 mil atendimentos deixaram de ser realizados durante a paralisação. Apesar dos médicos terem voltado ao trabalho na última quinta-feira, o movimento nas agências se intensificou ontem, após o feriado de Carnaval.
Cerca de 100 pessoas aguardaram na fila o agendamento das perícias na agência Shangri-lá, Zona Oeste de Londrina. Segundo a chefe de serviço de benefício, Rosa Kimiko Ueda, cerca de 68 pessoas conseguiriam realizar suas perícias ontem. Até as 9 horas, foram atendidas 43 pessoas. ''Estamos trabalhando com três médicos e outros dois estão em férias'', explicou Rosa Ueda.
''Já tinha vindo umas três, quatro vezes aqui para agendar a perícia e o guarda dizia que estava em greve. Mas só semana passada vi pela televisão que tinha acabado'', contou a empregada doméstica Maria Augusta Andrett, de 65 anos. Ela quebrou a perna há mais de dois meses e esperava a perícia para retornar ao serviço.
Segundo a chefe da agência Centro, Brendaly Albino, com o aumento do atendimento em 40%, aproximadamente 50 pessoas passarão pela perícia diariamente. Ela lembra que nos próximos 15 dias será priorizado o atendimento a quem precisa fazer a primeira perícia médica. Já os segurados afastados por motivo de doença, que estão recebendo o benefício, e necessitam agendar novas perícias, terão que esperar um pouco mais. ''Temos um prazo de 30 dias para regularizar os atendimentos, mas acredito que antes da data tudo estará normalizado'', comenta.
Os médicos peritos do INSS entraram em greve no dia 3 de dezembro e só retomaram as atividades depois que o governo federal publicou a Medida Provisória 166 de 2004, que cria a carreira de médico perito e atende outras reivindicações históricas da categoria.

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