Agências de turismo sentem reflexos do avanço do coronavírus
Consumidor que já comprou precisa estar atento às regras para ser reembolsado ou remarcar a viagem sem prejuízo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de março de 2020
Consumidor que já comprou precisa estar atento às regras para ser reembolsado ou remarcar a viagem sem prejuízo
Pedro Moraes - Grupo Folha 
O avanço gradual da infecção do coronavírus por diversos cantos do globo terrestre já provoca efeitos imediatos na indústria do turismo. Aumentam a cada semana os alertas sobre o perigo para os grupos de risco em transitar por locais onde a incidência de casos é grande.
O temor se iniciou com os primeiros casos, em dezembro do ano passado, na cidade de Wuhan, na China, e a doença tem se alastrado para o ocidente. Na região norte da Itália, o crescente volume de infectados – local onde o primeiro brasileiro registrado com a doença foi contaminado – altera o planejamento de quem estava com a passagem comprada e o passaporte na mão.

Em Londrina, as agências de turismo ainda não têm o impacto calculado, mas o trabalho para desmontar os planos com as companhias aéreas e a rede hoteleira tem sido diário. Dois eventos em especial que atraíam profissionais da região foram afetados. O primeiro é o monumental Canton Fair, uma das maiores feiras de importação e exportação do mundo, que está marcada entre os meses de abril e maio, e o Salão do Móvel de Milão, que abriria as portas no fim de abril e reagendou os trabalhos para meados de junho.
“Tivemos 150 passageiros afetados com os dois eventos. Os cancelamentos para as viagens para a China foram reembolsados integralmente, mas nos casos da Itália precisamos negociar com as companhias”, relatou Fernanda Lochini, supervisora de vendas da Valentin Turismo, em Londrina.
Mesmo diante dos alertas mundiais e das imagens de cidades vazias que passam por quarentena para evitar que o coronavírus se alastre, a negociação das agências com as empresas para cancelar não tem sido simples.
Foi o caso do Light + Building, em Frankfurt, na Alemanha, que foi adiado de março para setembro. Apesar de a região não estar no mapa dos locais de risco, um passageiro que decidiu por cancelar a sua ida discute com a companhia aérea, que não considera que o fato se encaixa nas políticas de reembolso ou remarcação que envolvem os problemas relacionados ao vírus.
“Nesse caso, damos a assessoria, indicamos um advogado e nos dispomos como testemunha, mas o nosso cliente precisa buscar os órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça”, afirmou Lochini.
DESTINOS
O problema ocorre fundamentalmente nas viagens agendadas para depois do 31 de março. A curta antecedência, aponta que a indefinição sobre a movimentação da doença é grande e que as empresas têm tentado minimizar os impactos nas suas operações.
Um grupo de cinco arquitetos londrinenses que estavam se preparando para ir à feira em Milão conseguiu renegociar datas e valores, mas ainda não havia pagado pela viagem. Mesmo com os alertas, eles não desistiram e devem estar na Itália em junho. “Com as notificações do novo vírus, as pessoas estão adiando a viagem. As pessoas ficam preocupadas com tantas especulações”, aponta Doren Andrade de Faria, sócia-proprietária da Criattiva Turismo.
A insegurança sobre a dissipação da doença pelo mundo fez aumentar a precaução dos viajantes. Apesar de o Brasil só ter registrado oficialmente um caso e de o alastramento da doença parecer uma opção muito remota, o temor provoca um prejuízo para o setor, até mesmo nos destinos nacionais.
“As pessoas evitam viajar mesmo. Muitas das pessoas que cotaram, preferiram deixar para outra data. O aumento do dólar não influiu tanto no movimento quanto esses casos do coronavírus vêm atingindo. As pessoas temem, além da doença, a possibilidade de ter prejuízo”, contou Lochini.
DIREITOS
Segundo o Procon-PR, os consumidores devem ficar atentos aos direitos de cancelamento e reembolso das viagens aéreas ao exterior em casos como alertas sobre riscos de saúde. Os procedimentos das companhias, no entanto, têm sido influenciados pelos pronunciamentos da OMS (Organização Mundial da Saúde).
“O consumidor deve abrir reclamação e apresentar todos os documentos relativos à contratação e compra da passagem, para que possamos realizar a abertura do processo administrativo e dar andamento no pedido de retorno do valor pago”, informou Cláudia Silvano, chefe do Procon-PR. (Colaborou Camila Rosa).


