Londrina – Pelo menos cinco agências de turismo de Londrina foram alvo de tentativas de golpe nos últimos dias. Proprietários e funcionários dos estabelecimentos, no entanto, desconfiaram da ação dos estelionatários a tempo de evitar prejuízo financeiro. A única empresa que perdeu dinheiro foi por conta da necessidade de cancelar uma passagem já emitida.
De acordo com donos de agências, os golpistas usam sempre o mesmo modus operandi. Por telefone, um falso cliente identifica-se como funcionário de uma fazenda e solicita uma passagem para o dia seguinte. Ele informa que realizará o depósito na manhã seguinte. Após depositar um envelope vazio no caixa eletrônico, outro golpista entra em contato com a agência, se dizendo responsável pelo departamento financeiro da fazenda. Diz que houve um equívoco no depósito e solicita a "devolução" da diferença. O banco, obviamente, após verificar que o envelope está vazio, anula o depósito, estorna o valor da conta e a vítima fica com o prejuízo.
A maioria das agências não chegou a emitir as passagens nem a fazer o depósito da diferença. Apenas uma funcionária ouvida pela reportagem confirmou ter feito a emissão do bilhete. "Só que depois o depósito não foi confirmado. Cancelamos a passagem e não chegamos a depositar a diferença. Mas como fizemos a emissão, tivemos que arcar com as despesas das taxas, que chegaram a R$ 250", reclamou a funcionária, que preferiu ter a identidade mantida sob sigilo.
A proprietária de outra agência sofreu o mesmo tipo de abordagem. Quando a mãe dela atendeu o telefone, um dos golpistas passou a exigir de maneira ríspida que o dinheiro fosse devolvido. "Mas meu pai interviu e pediu para falar com o sujeito. Quando ele se identificou como advogado, o sujeito disse que iria ligar depois, mas não retornou a ligação", contou a empresária, que também não quis se identificar.
Segundo o delegado operacional da 10ª Subdivisão da Polícia Civil de Londrina, Edgard Soriani, este tipo de golpe é aplicado há muito tempo. "São golpes antigos, que só variam de público-alvo, conforme a conveniência deles", alertou. Ele diz que geralmente as vítimas evitam registrar boletim de ocorrência por vergonha. "Não recebemos denúncias sobre isso aqui na delegacia", adiantou.
O delegado da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Paraná (Abav-PR) em Londrina, Valentin Martins, também foi vítima da tentativa de golpe. Ele orienta os proprietários e funcionários de agências a desconfiar de solicitações de urgência. "Nenhuma venda cai do céu na última hora. Desconfie sempre. Se a pessoa for de outra praça, também deve ser analisada minuciosamente."

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