Agência oficial diz que Wahid deu sinal verde para a repressão
Banda Aceh, Indonésia, 02 (AE-AP) - O presidente indonésio, Abdurrahman Wahid, autorizou os militares a usar de força para conter os movimentos separatistas em Aceh, Irian Jaya e nas Ilhas Molucas, informou hoje (02) a agência oficial de notícias Antara, citando um comunicado presidencial.
A validade do documento, no entanto, foi questionada pela mídia local. O Jakarta Post, por exemplo, afirmou que o comunicado não estava assinado e oficiais do palácio presidencial não puderam confirmar se o presidente fez tais comentários.
O comunicado do presidente foi divulgado pelo ministro dos Assuntos Políticos e de Segurança, general Wiranto, horas antes de Wahid partir na quarta-feira para uma visita oficial de quatro dias à China.
Enquanto isso, dezenas de pessoas ficaram feridas hoje em Irian Jaya quando a polícia indonésia abriu fogo contra 2 mil pessoas que se manifestavam a favor da independência da província.
O confronto ocorreu em Timika, cidade fronteiriça com Papua-Nova Guiné, quando os manifestantes tentaram impedir que as forças de segurança arriassem a bandeira do Movimento Papua Livre.
O chefe da polícia de Irian Jaya, general-brigadeiro Selvanus Wenas, disse que os policiais deram disparos de advertência para o ar, e não contra a multidão, negando informações de um grupo de direitos humanos de que a polícia atirou contra os manifestantes. Segundo Wenas, as pessoas se feriram na correria.
Ontem, centenas de milhares de pessoas manifestaram-se em toda a Província de Irian Jaya para comemorar o aniversário da independência do território da Holanda, em 1961. Dois anos mais tarde, Irian Jaya foi anexada à Indonésia.
Aparentemente com o aval de Wahid, militares indonésios ameaçaram hoje usar a força contra os separatistas da Província de Aceh, norte da Ilha de Sumatra, que comemoram no sábado o aniversário de fundação do Movimento Aceh Livre (GAM).
O porta-voz do Exército, general Sudrajat, exortou hoje novamente o governo a declarar a lei marcial no território, majoritariamente muçulmano, onde os rebeldes lutam há anos pela secessão.
Segundo grupos de direitos humanos, as forças de segurança indonésias, que exerceram nove anos de repressão em Aceh para conter o separatismo, são responsáveis pelas mais de 5 mil mortes ou desaparecimentos no território desde 1989.





