Genebra - A primeira vacina contra a malária ganha o sinal verde das autoridades sanitárias. Depois de 30 anos de pesquisas, o produto que pode revolucionar o combate à doença recebeu ontem uma indicação positiva da Agência Europeia de Remédios, garantindo a segurança e eficiência da vacina. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda vai avaliar sua aplicação, já que a taxa de imunização baixa do produto significa que sérios obstáculos ainda possam existir para a sua introdução nos sistemas de saúde.
A vacina Mosquirix é produzida pela GSK e tem como meta seu uso na África. Sua aprovação é considerada como um passo fundamental para o desenvolvimento de outros produtos que possam ser usados em outras partes do mundo, incluindo a Amazônia brasileira.
No total, a OMS estima que 584 mil pessoas morram por ano por causa da malária, com grande parte das vítimas sendo crianças africanas. "Esse é um momento único e um sonho para uma equipe que tem trabalhado no projeto por três décadas", declarou Ripley Ballou, chefe de pesquisas de vacinas na GSK. A empresa não revelou o preço do produto que será colocado no mercado. Mas prometeu que os valores não serão um obstáculo e que a GSK não venderá o produto com fins de lucro.
Por enquanto, a eficácia da nova vacina varia de 25% a 50% das pessoas que sejam beneficiadas pelas doses e estrangeiros que viajem para o continente africano não serão imunizados. Segundo os estudos, o maior impacto promete ser entre crianças de cinco a 17 meses que recebam três doses da vacina, além de uma quarta dose 20 meses depois.

Dúvidas
Se o anúncio é considerado como uma vitória pela empresa, a OMS alerta que ainda precisa examinar o caso, algo que ocorrerá até 25 de novembro. A vacina não tem a potência que a entidade de saúde em Genebra esperava e, pelos testes, ficou provado que ela praticamente não funciona com recém-nascidos, uma das metas da OMS.
"Essa é a primeira vez que uma vacina é examinada por uma agência e isso é algo fundamental", disse Gregory Hartl, porta-voz da OMS. Ele alertou, porém, que o sinal verde dos europeus é "apenas uma opinião científica".

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