Agência de turismo falsificava vistos
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sexta-feira, 03 de outubro de 2003
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá A Polícia Federal de Maringá instaurou inquérito para apurar a responsabilidade criminal dos representantes de uma empresa de turismo de Goioerê, que estaria falsificando documentos para obter vistos de entrada para os Estados Unidos (EUA) e Canadá. Em cumprimento a um mandado de busca e apreensão, policiais federais apreenderam na empresa vários carimbos falsificados da Junta Comercial de Goierê, de Cartórios e Tabelionatos.
O inquérito policial foi instaurado a partir de denúncia recebida pela Ouvidoria das Polícias da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná, de que os representantes da empresa seriam especialistas em falsificar documentos como escrituras de imóveis, documentos de veículos, declarações de imposto de renda, e declarações de instituições de ensino superior com o objetivo de obter vistos de entrada aos EUA e Canadá aos seus clientes.
De acordo com a assessoria da PF de Maringá, os carimbos encontrados na empresa são incompatíveis com a atividade desenvolvida por agência de turismo. Muitas das declarações e escrituras estavam preenchidas com os nomes dos prováveis interessados em embarcar para os EUA e Canadá. Nenhum representante da empresa foi detido. O próximo passo da PF será ouvir as pessoas, cujos nomes aparecem nas escrituras e declarações. Se ficar comprovada a falsificação dos documentos, todos os envolvidos deverão ser indiciados por crime de falsificação de documentos públicos e particulares e por estelionato.
Conforme o agente Celso Secolo, responsável pelo setor de comunicação social da PF de Maringá, desde 1999 foram instaurados 15 inquéritos policiais para apurar irregularidades na obtenção de visto para os EUA e Canadá, que culminaram com o indiciamento de 33 pessoas. Ele alerta que a prática de falsificação para se obter visto internacional tem se tornado comum na região de Maringá. O próprio Consulado dos Estados Unidos está atento para estas irregularidades.
Segundo Secolo, os consulados americanos e canadense foram oficiados sobre as apreensões, o que deve implicar em mais rigor na análise dos documentos apresentados por moradores da região de Maringá que pretendem viajar para os Estados Unidos. ''Não é fácil obter o visto para os Estados Unidos, por isso as pessoas devem desconfiar quando uma empresa oferecer facilidades'', alertou Secolo.


