Agência de Energia Atômica tem ação facilitada
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Clarissa Thomé 
Rio- A colocação de telas de metal em parte dos tapumes que encobrem as ultracentrífugas que enriquecerão urânio nas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende, no sul do Rio, permitiu ontem que os integrantes da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) tivessem uma melhor visualização das tubulações e conexões da fábrica. A missão deles é verificar se é viável ou não a proposta brasileira para a inspeção da unidade.
Há um ano, o Brasil e agência estão num impasse sobre os termos da inspeção. Enquanto a Aiea insistia em ter acesso visual irrestrito ao primeiro conjunto de máquinas (chamado de cascata), os Ministérios da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores procuravam alternativas que permitissem a inspeção e preservassem o conjunto de conhecimentos do instrumento desenvolvido pela Marinha. A instalação das telas foi uma opção.
Segundo informou um assessor do Ministério da Ciência. O resultado da visita será divulgado hoje ou amanhã.
A equipe da agência, chefiada por um norte-americano, e composta ainda por uma sul-africana e um francês, chegou à fábrica às 10h40 e só foi embora às 17h30. Durante duas horas e 30 minutos, eles estiveram na sala onde ficam centenas de ultracentrífugas, sem ter acesso visual às máquinas.
Depois de breve parada para o almoço, os inspetores retornaram para a fábrica de enriquecimento. Os inspetores da agência, por força contratual, não informam os nomes nem concedem entrevistas.
Além dos técnicos da Aiea, acompanharam a vistoria três integrantes da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc), três diretores da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), e dois diretores da INB.
A ultracentrífuga feita pelo Brasil levita sobre um eixo magnético. As convencionais giram sobre um eixo mecânico, o que provoca mais desgaste e vida útil menor. Estima-se que o processo brasileiro seja 25% mais barato que os demais. Se o projeto brasileiro para a inspeção for aprovado, uma nova equipe de da Aeia chega em até 15 dias para fazer a vistoria na planta da fábrica. Só então o estabelecimento entra num período de comissionamento (testes do equipamento), quando recebe pequena quantidade de material radioativo. Somente nesse ano, a inauguração da fábrica foi adiada duas vezes - as datas previstas eram maio e outubro. Ainda não há nova previsão de data para o início das atividades.


