Agência de Defesa Agropecuária deve sair até setembro Lúcia Monteiro
São Paulo, 28 (AE)- O ministro da Agricultura, Francisco Turra disse hoje, em São Paulo, que o projeto de criação da Agência de Defesa Agropecuária foi encaminhado para o presidente Fernando Henrique Cardoso nesta semana e deve ser implementado até o início de setembro. Segundo ele, a entidade será importante para as exportações brasileiras, uma vez que o mercado internacional está cada vez mais exigente na área de segurança alimentar. "Hoje as barreiras internacionais não são apenas tarifárias, mas de toda ordem", disse, citando barreiras fitossanitárias, além da qualidade.
A Agência de Defesa Agropecuária, formada pela parceria do Ministério da Agricultura com estados e iniciativa privada, visa combater as limitações de recursos e de pessoal enfrentadas pela atual Secretaria de Defesa Agropecuária. Turra afirmou que mesmo com as exigências do mercado internacional, o volume de exportações do setor agropecuário brasileiro aumenta, citando o exemplo dos lácteos, que apresentaram uma redução de 21% nas importações no mês de abril. Ele afirmou que, apesar dos baixos preços das commodities agrícolas no mercado internacional, o saldo da balança comercial do agronegócio certamente superará a meta para 1999, de US$ 12,6 bilhões.
Afosa-o Turra afirmou que o fechamento das fronteiras do Mato Grosso do Sul não será adiado e o calendário do Escritório Internacional de Epizootias (OIE) para que o Circuito Pecuário Centro-Oeste seja declarado livre de febre aftosa será cumprido. "O calendário não vai ser adiado, porque o Brasil já está atrasado no combate à febre aftosa", afirmou o ministro. Ele explicou que o fechamento das divisas será por pouco tempo, apenas durante a sorologia.
"Além disso, o fechamento é apenas para animais vivos, e o transporte de carne desossada será mantido", completou. Durante o fechamento das fronteiras do Mato Grosso do Sul, devem ser criados "corredores sanitários", pelos quais passará a carne de bovinos com osso e também boi em pé do Mato Grosso do Sul para os estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste, de acordo com o ministro. Segundo Turra, apenas bois sadios serão transportados por esses corredores sanitários.
Transgênicos - O ministro, que defende a rotulagem dos produtos que contêm organismos geneticamente modificados, informou que a segregação entre a soja transgênica e a tradicional deverá ser discutida na próxima reunião extraordinária da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), na próxima terça-feira (1). Na reunião, estarão presentes o ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, e técnicos de diversas entidades relacionadas à questão da liberação dos transgênicos.
"É uma cautela adicional porque essa é a primeira liberação de variedades transgênicas. É preciso que os técnicos referendem essa liberação", afirmou ele. Por esse motivo, a liberação das cinco variedades de soja transgênica da Monsanto foi adiada, mas, segundo o ministro, esse adiamento é mínimo. "E só por um dia", afirmou Turra. A definição de uma estrutura para separar a soja transgênica não pode ser feita depois que o plantio se iniciar, por isso, explica o ministro, é preciso que seja definida rapidamente. A definição é um dos motivos da reunião da CTNBio.





