Agência contra Aids prega abstinência sexual
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quinta-feira, 09 de março de 2006
Lígia Formenti<br>Agência Estado 
Brasília- Um projeto apresentado pela Agência Norte-Americana para Desenvolvimento Internacional (Usaid) para prevenção de Aids no Brasil provocou novo mal-estar no Programa Nacional de DST-Aids. A proposta, exibida no site da Usaid, prevê uma ação de prevenção de Aids entre adolescentes brasileiros baseada apenas na abstinência sexual.
Tal estratégia contraria frontalmente a política brasileira de prevenção da doença, que tem como pilar o uso do preservativo. A proposta da agência consta do programa que foi apresentado ao Congresso Norte-Americano para a estratégia de trabalho em 2005 e 2006 no Brasil.
''Mesmo que nenhum convênio tenha sido feito para levar adiante esta estratégia, a simples proposta é uma afronta à nossa política'', afirmou o coordenador do Programa Nacional de DST-Aids, Pedro Chequer. O programa enviou esta semana um ofício para a Usaid, convidando a agência a prestar esclarecimentos sobre o assunto na próxima reunião do Conselho Nacional de Aids.
''Um projeto piloto como este nunca poderia ter sido anunciado sem a discussão prévia com o programa brasileiro'', afirmou. ''Foi, no mínimo uma petulância'', completou Chequer. Na reunião, o programa vai pedir que a Usaid esclareça todos os convênios firmados ao longo dos últimos anos. E quais continuam em curso.
A proposta da Usaid previa duas ações que tinham como pilar a abstinência. Uma para jovens trabalhadores, que prega abstinência e fidelidade. Outra, um projeto piloto para jovens, que recomendava a abstinência como melhor forma para evitar a contaminação pelo HIV. ''Consideramos tal política totalmente incorreta e ineficaz'', afirma Chequer.
Ele conta que, em reuniões com representantes da agência a estratégia do ABC (sigla em inglês que prega a abstinência, fidelidade e, em alguns casos, preservativos) nunca foi abordada. ''A razão, para mim, sempre foi clara: para o Brasil, a única forma inquestionável de prevenção contra a Aids é o uso do preservativo.''
No ano passado, o Programa Nacional de DST-Aids recusou o financiamento de projetos com a Usaid, no valor de US$ 40 milhões, justamente por discordar da forma de ação da agência. A Usaid havia condicionado os convênios com Organizações Não Governamentais ao compromisso de que elas não se engajassem em ações que previam a regulamentação da profissão de prostitutas. ''Naquela época, pelo menos, houve discussão sobre o tema. Mas tentar incluir trabalhos de abstinência sem ao menos nos comunicar, é o fim. Foi uma traição, um desrespeito'', reclamou Chequer.


