Africanos detidos pelo golpe do dólar pintado
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quarta-feira, 23 de maio de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Dois africanos foram detidos, ontem, em Curitiba, depois de serem pegos em flagrante enquanto aplicavam o golpe do ''dólar pintado'' contra a organização não-governamental SOS Cultura. Policiais da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC) prenderam os estrangeiros numa lanchonete, no Centro da cidade, após a troca das notas falsificadas pintadas de preto, que somariam 1,2 milhão de dólares, por R$ 11 mil da ONG.
O dinheiro repassado pela entidade seria para ''comprar'' um químico que limparia a tinta que encobria os supostos dólares. Assane Seidou, de 41 anos, natural da cidade de Cotonou, na República de Benin (centro-oeste da África), e o sul-africano Metogbe Armel Ayihou, de 26 anos, da cidade de Bem, foram encaminhados para uma unidade prisional, em Piraquara, e são acusados pelo crime de estelionato. Assane tinha visto para ficar 90 dias, no Brasil, já Metogbe não tinha passaporte.
Os consulados da África do Sul e da República de Benin e a Polícia Federal foram informados sobre a prisão, segundo o delegado da DEDC, Marcus Vinícius Michelotto, que explica como aconteceu o golpe. ''Eles aliciaram as vítimas via e-mail, se passando por representantes do coronel francês aposentado Gerard Zanin, que queria doar 1,2 milhão de dólares à ONG'', conta o delegado. Ele disse que esse é o segundo caso registrado, no país, nos últimos anos. Em 2005, outros dois africanos aplicaram o mesmo golpe, em São Paulo.
Os golpistas convenceram a vítima de que na transação é normal o dinheiro ser pintado para que possa entrar ilegalmente no país. Há quatro dias os africanos, que estavam em São Paulo, vieram a Curitiba para entregar a mala com os dólares falsos, deixando a vítima convencida de estar fazendo um ''bom negócio''. ''Eles fazem um show, pegam uma nota verdadeira da maleta e retiram a tinta preta na frente da vítima, usando máscaras, inclusive. Eles são muito envolventes e têm muita lábia'', justifica Micheloto.
A ONG fez o pagamento de R$ 11 mil em troca da maleta e os africanos ficaram de voltar a Curitiba para entregar o líquido que limparia as notas, quando receberiam mais 56 mil dólares pelo produto. A ONG SOS Cultura desconfiou que se tratava de um golpe e procurou a polícia, que investigou os passos dos africanos e aguardou que eles voltassem a Curitiba para vender o líquido.
''A ONG foi vítima e acreditou que se tratava de uma doação, mas não pode deixar de ser questionada porque contribuiu para que o crime acontecesse, com sua atitude gananciosa e reprovável, seja para ajudar a entidade ou por ambição pessoal. Mas a conduta dela não é especificada no Código Penal'', explica Micheloto, informando que o dinheiro pago aos africanos não foi recuperado.


