Curitiba-Dois rapazes de Serra Leoa, na África, que viajavam clandestinamente em um navio de bandeira inglesa chamado Green Reefers, desembarcaram ontem à tarde no Porto de Paranaguá, litoral do Paraná. Com eles, somam-se 15 clandestinos que desceram este ano em Paranaguá, todos de países africanos (Gana, Guiné, Nigéria e Serra Leoa). O navio inglês partiu da Nigéria no último dia 30 de junho. Kennedy Adams, 20 anos, e Charley Jpseph, 22 anos, alegaram que estavam tentando fugir da guerra civil e da miséria que assola seu país. Eles devem ser levados de volta a Serra Leoa em 40 dias.
Os dois africanos ficaram quatro dias escondidos nas câmaras frigoríficas do navio, que veio ao Brasil buscar frangos congelados, e depois começaram a bater nas paredes para chamar a atenção da tripulação. Eles sobreviveram nos quatro dias com cinco litros de água e dois pacotes de bolacha que levaram para o navio. Os refrigeradores estavam desligados. ''Os clandestinos geralmente levam comida para sobreviver nos primeiros dias porque eles fazem o cálculo que após quatro, cinco dias o navio já está em alto mar e não pode mais voltar'', explicou o agente da Polícia Federal (PF) de Paranaguá responsável pelo setor marítimo, Valdomiro Nenevê.
Antes do desembarque, a PF vistoriou o navio para averiguar se os dois rapazes estavam sendo bem tratados e se não estavam sendo submetidos a trabalhos forçados. ''Eles estão bem e como não cometeram crime nenhum vão ficar em um hotel, sempre acompanhados de um fiscal da PF, até o processo de repatriação ficar concluído'', afirmou Nenevê. O agente da PF explicou que cada clandestino gera um custo de US$ 20 mil entre hospedagem, alimentação e passagens de retorno. E quem paga isso é o dono do navio que os trouxe. ''Além disso, o navio paga uma multa de R$ 827,27 por cada clandestino, já que no mínimo é uma negligência não controlar a entrada.''

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